A conta parece não fechar à primeira vista, mas a explicação está nos votos dos candidatos eliminados no primeiro turno. No Brasil, a diferença entre os votos recebidos pelos dois finalistas também foi muito maior que o aumento total de votos válidos.
Uma conta envolvendo os resultados da eleição presidencial em Cáceres pode gerar uma dúvida: como Lula ganhou 3.090 votos e Flávio Bolsonaro outros 645 entre o primeiro e o segundo turno, se o município teve apenas 1.030 votos válidos a mais?
Os números estão corretos. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Cáceres registrou 45.853 votos válidos. Lula recebeu 19.130 votos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 24.018. Os outros dez candidatos somaram 2.705 votos.
No segundo turno, com apenas os dois candidatos na disputa, Lula chegou a 22.220 votos e Flávio a 24.663. Juntos, eles somaram 46.883 votos válidos, exatamente 1.030 a mais que no primeiro turno.
A explicação está na soma. Lula e Flávio receberam, juntos, 3.735 votos a mais em relação à primeira votação. Mas, no primeiro turno, os outros candidatos haviam reunido 2.705 votos. Ao comparar as duas etapas, é preciso considerar que essas candidaturas deixaram de participar do segundo turno. A diferença entre os 3.735 votos adicionais dos finalistas e os 2.705 votos dos demais candidatos resulta justamente nos 1.030 votos válidos a mais.
O que chama a atenção é que Lula ganhou 3.090 votos em Cáceres, o equivalente a 114,2% de todos os votos somados dos candidatos eliminados no primeiro turno. Ou seja, o crescimento dele foi maior do que toda essa votação reunida, levantando a questão de quantos eleitores mudaram de lado e quantos que não compareceram no primeiro turno votaram no segundo.
E no Brasil? A conta segue a mesma lógica.
No primeiro turno, o país registrou 119.300.788 votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos e Lula, 53.879.538. As outras dez candidaturas somaram 9.316.747 votos.
No segundo turno, Lula alcançou 64.256.232 votos, enquanto Flávio terminou com 59.826.041. O crescimento foi de 10.376.694 votos para Lula e 3.721.538 para Flávio, totalizando 14.098.232 votos adicionais para os dois candidatos em relação ao primeiro turno.
Entretanto, os 9.316.747 votos que haviam sido destinados às candidaturas eliminadas no primeiro turno precisam entrar nessa comparação. Subtraindo esse total dos 14.098.232 votos adicionais dos finalistas, chegamos a 4.781.485 votos válidos a mais no segundo turno, exatamente a diferença entre os 124.082.273 votos válidos da segunda votação e os 119.300.788 da primeira.
É importante esclarecer que essa conta não revela para onde foi o voto de cada eleitor. Parte dos eleitores que votaram nos candidatos eliminados pode ter escolhido Lula ou Flávio, enquanto outros podem ter deixado de comparecer ou votado em branco ou nulo. Os números mostram o resultado agregado, não a transferência individual de votos.
Em Cáceres e no Brasil, portanto, não existe contradição matemática. O aumento líquido dos votos válidos é diferente da soma dos votos adicionais recebidos pelos dois finalistas, porque a comparação entre os turnos também envolve os votos que, na primeira votação, foram destinados aos candidatos que não chegaram à etapa final.
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