“Se não quer ser cobrado, não venha para a vida pública”, dispara Pacheco contra secretários de Cáceres

Pacheco Cabeleireiro relatou atritos com integrantes do Executivo e afirmou que vereadores precisam ter liberdade para cobrar providências em nome da população

O clima esquentou na Câmara Municipal de Cáceres durante a sessão desta semana. Ao ocupar a tribuna, o vereador Pacheco Cabeleireiro fez duras críticas à postura de secretários municipais diante das cobranças feitas pelos vereadores e afirmou que quem ocupa uma função pública precisa estar preparado para ser questionado.

A manifestação ocorreu durante as discussões sobre demandas encaminhadas ao Executivo. Pacheco relatou que já enfrentou situações de conflito com integrantes da administração municipal justamente por cobrar providências para problemas apresentados pela população.

Segundo o vereador, uma das situações envolveu a cobrança relacionada à iluminação de um campo, que, conforme seu relato, estaria há mais de um ano sendo encaminhada de um setor para outro sem solução definitiva.

Pacheco afirmou que, ao cobrar uma resposta mais incisiva, recebeu uma reação negativa do secretário.

O vereador também citou um episódio, afirmando que havia tratado diretamente com o secretário sobre uma demanda de determinado bairro. Segundo ele, teria recebido a garantia de que o serviço seria realizado após a conclusão de outra obra, mas posteriormente a prioridade teria sido alterada.

Foi nesse contexto que Pacheco elevou o tom.

“Se você não quer ser cobrado, você não venha para a vida pública, secretário. Não venha para a vida pública.”

“Nós somos servidores do povo”

Para o vereador, a relação entre Câmara e Prefeitura precisa permitir que os parlamentares encaminhem e cobrem as reivindicações apresentadas pelos moradores.

Pacheco argumentou que os vereadores estão diariamente em contato com a população e, por isso, recebem reclamações sobre iluminação, obras, infraestrutura e outros serviços públicos.

Na avaliação dele, não faz sentido que o vereador tenha responsabilidade de ouvir o cidadão, mas encontre resistência quando leva a cobrança para dentro da administração.

“Assim como o povo tem o direito de me cobrar, eu também tenho direito de cobrar o secretário, tenho direito de cobrar o prefeito.”

O parlamentar também afirmou que já teria ouvido reclamações de outros vereadores sobre dificuldades para cobrar determinadas secretarias.

Crítica também atingiu a estrutura do Executivo

Em outro momento da fala, Pacheco questionou se seria necessário recorrer ao setor jurídico da Câmara para formalizar cobranças aos secretários.

A crítica ganhou ainda mais força quando o vereador mencionou uma situação em que, segundo seu relato, uma vereadora teria sido orientada a comprar cimento para viabilizar uma intervenção de infraestrutura.

“Tudo tem limite.”

Pacheco ainda diferenciou a postura da prefeita Eliene Liberato Dias daquela que, segundo ele, estaria sendo adotada por alguns secretários. O vereador afirmou que a prefeita costuma ouvir as reivindicações dos parlamentares de maneira mais receptiva, mesmo quando não consegue atender imediatamente às demandas.

Cobrança faz parte da função, diz vereador

A fala de Pacheco expõe uma discussão que vai além das reclamações pontuais feitas durante a sessão: qual deve ser o limite entre Executivo e Legislativo quando um vereador cobra providências em nome da população?

O vereador defendeu que a cobrança faz parte da própria função pública e que secretários municipais, assim como os demais agentes públicos, precisam lidar com questionamentos sobre os serviços sob sua responsabilidade.

As declarações foram feitas durante a sessão da Câmara e refletem a posição apresentada pelo parlamentar. Os secretários citados por Pacheco não tiveram, no trecho analisado da sessão, manifestação registrada em resposta às acusações.

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