Casas Bahia, Marabraz, Tok&Stok e Grupo Petrópolis estão entre os nomes atingidos; Habib's também entrou recentemente na Justiça
O número de empresas em recuperação judicial no Brasil chegou a 6.341, segundo dados da consultoria RGF. O levantamento mostra um crescimento expressivo em relação aos anos anteriores e revela que as dificuldades financeiras atingem diferentes setores da economia.
Entre os nomes conhecidos que aparecem nesse cenário estão Casas Bahia, Marabraz, Tok&Stok e Grupo Petrópolis, além de empresas de setores como agronegócio, transporte, logística, indústria e alimentação.
O caso da Casas Bahia ganhou destaque nas últimas semanas. A companhia fechou 298 lojas e anunciou uma forte redução de sua estrutura. A empresa acumula dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões e enfrenta um processo de reestruturação financeira.
Outro nome tradicional que entrou recentemente nesse cenário foi o Habib's. O Grupo Gennius, controlador das redes Habib's, Ragazzo e Tendall Grill, teve o pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo. A dívida declarada é de R$ 265,2 milhões, e o processo envolve 178 empresas do grupo.
Apesar da recuperação judicial, o grupo informou que as lojas continuam funcionando normalmente e que a medida tem como objetivo reorganizar as finanças e preservar as atividades.
Um problema que vai além das grandes marcas
O aumento das recuperações judiciais não significa que todas essas empresas estejam destinadas à falência. A recuperação judicial é justamente um mecanismo previsto na legislação para permitir que empresas em dificuldades renegociem suas dívidas e tentem continuar funcionando.
Mas o número chama atenção porque ocorre em um ambiente de juros elevados, crédito mais caro e consumidores cada vez mais endividados.
Segundo levantamento citado pela imprensa, 83,5 milhões de brasileiros estão negativados, com dívidas que ultrapassam R$ 574 bilhões.
O impacto também aparece no mercado de trabalho. Somente o comércio varejista brasileiro eliminou 45,9 mil vagas com carteira assinada no primeiro semestre de 2026, segundo dados do período.
E é justamente aí que o assunto deixa de ser apenas uma questão empresarial.
Quando uma grande empresa fecha lojas, reduz funcionários ou entra em recuperação judicial, o efeito chega ao trabalhador, ao fornecedor, ao comércio e à economia das cidades.
Em Cáceres, onde comerciantes e empresários também vêm relatando dificuldades e onde o número de imóveis comerciais fechados ou disponíveis para locação chama atenção, o cenário nacional serve como mais um ponto para reflexão:
o que está acontecendo com a economia e com o poder de compra dos brasileiros?
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