A sessão da Câmara Municipal de Cáceres desta semana deixou claro que o debate sobre os gastos do “Cáceres Folia 2026” não é apenas cultural, é político. E no centro da polêmica ficou o vereador Isaías, que adotou um tom de confronto ao rebater questionamentos feitos por colegas parlamentares.
O requerimento protocolado pelo vereador Cézare Pastorello (PT), e assinado também pela vereadora Elis Enfermeira, solicita cópia integral dos processos de inexigibilidade, critérios técnicos de escolha das atrações e detalhamento da aplicação dos recursos estaduais e municipais destinados ao evento.
A iniciativa, segundo os autores, não é contra o carnaval, mas a favor da transparência.
Elis surpreende e reforça união acima de ideologia
A vereadora Elis(PL) fez questão de destacar que, embora pertença a um partido ideologicamente distante do PT em nível nacional, em Cáceres as ideias dela e de Pastorello convergem quando o assunto é fiscalização.
Ela afirmou que faltou divulgação adequada do evento e declarou que só soube da realização do carnaval porque passou pela praça e viu a movimentação.
A fala chamou atenção porque rompeu o discurso de polarização partidária e reforçou que a discussão é administrativa, não ideológica.
Isaías parte para o ataque
Em vez de responder aos pontos técnicos levantados no requerimento, Isaías preferiu desqualificar as críticas. Disse que todo ano há vereadores que “criam motivos para criticar custos” apenas para demonstrar posicionamento político.
O parlamentar também afirmou que os valores já são determinados e “não se discute”, minimizando o papel fiscalizador do Legislativo.
Em tom ainda mais polêmico, usou como argumento o fato de o PT financiar carnaval em nível nacional, insinuando que um vereador petista não teria legitimidade para questionar gastos locais.
A fala foi interpretada por alguns parlamentares como tentativa de desviar o foco do debate técnico para uma disputa ideológica.
Marcos Ribeiro reage e chama Isaías de “vereador sabe tudo”
O vereador Marcos Ribeiro subiu à tribuna visivelmente indignado. Chamou Isaías de “vereador sabe tudo” e afirmou que o colega “deve estar vivendo em outro mundo”.
Ele relembrou que, recentemente, Isaías havia declarado que as estradas da zona rural estavam “uma maravilha”, o que, segundo Marcos, não corresponde à realidade vivida por produtores.
Marcos ainda classificou os valores investidos no evento como “astronômicos” e defendeu que a população merece explicações claras.
Negação propõe solução estruturante
Enquanto o debate subia de tom, o presidente da Câmara, Flávio Negação, tentou direcionar a discussão para o futuro. Propôs a elaboração de um projeto de lei que organize o carnaval cultural do município de forma permanente, valorizando artistas locais, fortalecendo o comércio e respeitando as tradições regionais.
Negação também mencionou a importância de reconhecer o impacto do feriadão e dos retiros religiosos que ocorrem no período que antecede a Quaresma.
Pastorello desafia Isaías a provar acusações
Ao usar a tribuna, Pastorello rebateu diretamente Isaías. Citou uma frase usada pelo próprio vereador em sessão anterior — “é mentira, mas agora tem um nome mais bonitinho: fake news” — e desafiou o colega a provar que ele teria defendido a não utilização de recursos no carnaval.
Segundo Pastorello, o questionamento é sobre critérios e prioridades, não sobre a realização do evento.
Debate escancara divergência
O que ficou evidente é que, enquanto parte da Câmara defende fiscalização detalhada e prestação de contas, Isaías adotou postura de enfrentamento e simplificação do debate.
Em vez de apresentar dados técnicos ou defender juridicamente as contratações, preferiu reduzir o tema a disputa partidária, o que acabou ampliando o desgaste político dentro da própria sessão.
O carnaval passou. O debate sobre como o dinheiro público foi aplicado, ao que tudo indica, está só começando.
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