Violência brutal expõe oportunismo político

O assassinato do menino dentro da própria casa, ocorrido recentemente, não pode ser tratado como um fato isolado. Antes dele, outros crimes semelhantes já haviam acontecido — alguns mais recentes, outros há mais tempo — e todos apontam para o mesmo problema: o enfraquecimento da segurança pública e a ausência de decisões firmes por parte de quem tem o dever constitucional de garantir a vida da população.

Casos como esse funcionam como um choque de realidade. Eles rompem a bolha dos discursos prontos, das estatísticas frias e das promessas repetidas, e jogam novamente sobre a mesa um debate que vem sendo empurrado com a barriga há anos: até quando o Estado vai falhar em proteger seus cidadãos dentro de suas próprias casas?

Diante da gravidade do crime, é visível a movimentação de lideranças dos mais diversos poderes. Autoridades se manifestam, reuniões emergenciais são anunciadas, discursos inflamados ganham espaço. Em tese, trata-se de uma mobilização necessária. Na prática, porém, o que também salta aos olhos é algo que revolta ainda mais a população: o uso da dor alheia como palanque político, inclusive de influencers que tem o desejo por cliques e de ficar bem na foto.

Em vez de ações concretas, parte das pessoas, parece mais preocupada em aparecer bem na foto, gravar vídeos, publicar notas calculadas e disputar narrativas. O sofrimento de uma família, o luto de uma comunidade e o medo coletivo viram pano de fundo para o velho e nojento teatro político, onde muitos falam muito e fazem pouco.

A indignação popular não nasce apenas da violência em si, mas da sensação de abandono. A população percebe quando um crime é tratado como oportunidade política, e não como um ponto de ruptura que exige mudanças reais, investimentos sérios e responsabilidade institucional.

Esse episódio deveria marcar um antes e um depois. Não apenas em discursos, mas em decisões que ainda não foram tomadas, em medidas que seguem sendo adiadas e em uma política de segurança que precisa sair do papel. Se isso não acontecer, o risco é que mais um crime se transforme apenas em mais um capítulo explorado politicamente — até que o próximo aconteça.

E aí, mais uma vez, todos dirão estar “surpresos”.


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