A escalada da violência em Mato Grosso atingiu um ponto crítico. Em Cáceres, esta segunda-feira foi marcada por um dia inteiro de protestos, manifestações e atos públicos que escancararam a revolta da população diante da sensação de abandono e da incapacidade do Estado em garantir o mínimo: segurança.
Moradores, familiares de vítimas e lideranças comunitárias se concentraram em frente à unidade policial, cobrando respostas, ações concretas e presença efetiva do poder público. Mais tarde, uma nova manifestação tomou a Praça Barão, em frente à Catedral, reunindo dezenas de pessoas em um ato carregado de dor, indignação e revolta.
O estopim foi mais uma morte violenta que comoveu a cidade: um adolescente morto dentro de casa, por engano, em um cenário que já se tornou comum no estado, casas invadidas, tiros disparados, famílias destruídas. Para muitos, não se trata mais de episódios isolados, mas de um colapso completo da política de segurança pública.
Mães estiveram presente durante os protestos. Algumas relataram filhos perdidos para a violência, outras falaram do medo constante de ver os filhos saírem de casa e não voltarem. O discurso foi uníssono: o Estado falhou.
“Estamos enterrando nossos filhos enquanto o governo faz discurso”, disse uma mãe.
A revolta não é exclusiva de Cáceres. O sentimento se espalha por todo Mato Grosso. Os relatos se multiplicam, os casos se acumulam e a percepção é clara: o governador Mauro Mendes perdeu o controle da segurança pública. A violência avança, o crime se impõe e o governo parece incapaz de reagir com firmeza, estratégia e presença.
Não se trata de ataque político gratuito, mas de uma constatação prática. Quando a população ocupa ruas, praças e frente de delegacias para pedir socorro, é porque as instituições já não estão dando resposta.
O discurso oficial insiste em números, operações pontuais e promessas. A realidade, porém, se impõe com corpos, luto e medo. Mato Grosso nunca viveu uma sensação tão generalizada de insegurança como agora, especialmente no interior, onde a presença do Estado parece cada vez mais distante.
Enquanto isso, o governo segue incapaz de oferecer um plano claro, eficaz e duradouro. A violência não espera, não faz pausa e não respeita discursos. E a população, cansada de enterrar filhos, começa a perder não apenas a paciência, mas a confiança.
O que se vê hoje é um estado acuado, uma sociedade em luto e um governo que não consegue mais dar conta daquilo que prometeu governar.
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