O salário mínimo no Brasil nunca foi tão alto em números nominais. Em 2025, ele chegou a R$ 1.518,00, valor que, à primeira vista, passa a sensação de avanço econômico e valorização do trabalhador. No entanto, quando os dados são analisados com mais profundidade, a realidade é bem diferente — e bem menos otimista.
Em 2010, o salário mínimo era de R$ 510,00. À época, com o dólar girando em torno de R$ 1,75, o trabalhador brasileiro recebia cerca de US$ 290. Hoje, mesmo com o salário quase três vezes maior em reais, a forte desvalorização da moeda nacional faz com que esse valor corresponda a aproximadamente US$ 280.
Na prática, isso significa que o trabalhador brasileiro não recuperou o poder de compra perdido ao longo dos últimos 15 anos. Pelo contrário: em termos reais, especialmente quando se observa o custo de vida e a inflação acumulada, a situação piorou.
O discurso oficial do governo federal costuma celebrar o reajuste do salário mínimo como uma grande conquista social. No entanto, o que se percebe no dia a dia é que o aumento ficou restrito ao papel. Alimentos, energia elétrica, combustíveis, aluguel e itens básicos subiram em ritmo muito mais acelerado do que os salários, corroendo a renda das famílias.
A política econômica adotada nos últimos anos, marcada por gastos elevados, dificuldade de controle fiscal e perda de confiança na moeda, contribuiu diretamente para a desvalorização do real frente ao dólar. Isso afeta não apenas importações, mas toda a cadeia de preços interna, penalizando principalmente quem vive de salário.
O resultado é um paradoxo: o trabalhador “ganha mais”, mas consegue comprar menos. O reajuste do salário mínimo, sem crescimento econômico consistente, controle da inflação e responsabilidade fiscal, acaba funcionando mais como um instrumento de narrativa política do que como solução real para melhorar a vida da população.
Enquanto o governo federal insiste em comemorar números nominais, o bolso do brasileiro continua dando a resposta mais honesta: o custo de viver aumentou, e o salário não acompanhou.
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