Custo de vida em Cáceres dispara e aluguel se torna um dos maiores problemas da cidade

Viver em Cáceres está cada vez mais caro — e não é apenas impressão de quem sente o bolso apertar no fim do mês. O custo de vida no município vem subindo de forma contínua, aproximando-se — e em alguns casos superando — o de cidades maiores como Cuiabá e Campo Grande, sem que haja, em contrapartida, aumento real de renda, empregos ou oportunidades.

Um dos pontos mais críticos dessa equação é o valor dos aluguéis. O aluguel em Cáceres nunca esteve tão caro quanto nos últimos anos, tornando-se um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento das famílias. Nos bastidores do mercado imobiliário, o que se observa é a atuação dominante de duas ou três grandes imobiliárias, que acabam ditando os valores praticados na cidade.

Esse cenário cria um efeito em cadeia: quando essas imobiliárias elevam os preços, as demais passam a seguir o mesmo padrão, e até mesmo proprietários que alugam diretamente seus imóveis utilizam esses valores como referência. O resultado é um quase monopólio informal, onde os preços sobem de forma padronizada, independentemente da realidade econômica da população local.

Na prática, Cáceres passou a ter aluguel de cidade grande em bairros, razoavelmente, nobres, mas salários de cidade pequena. Em muitos bairros, os valores já se equiparam — ou se aproximam perigosamente — aos cobrados em regiões nobres de Cuiabá e Campo Grande. A diferença é que nessas capitais há mais empregos, maior circulação de dinheiro e mais alternativas de renda. Em Cáceres, não.

A ausência de um planejamento político efetivo, de estudos técnicos sobre habitação e de políticas públicas voltadas à proteção de quem não tem casa própria agrava ainda mais a situação. Falta uma legislação local que regulamente, organize ou ao menos mitigue os impactos desse mercado concentrado, deixando a população refém da lógica da oferta limitada e dos preços inflacionados.

Quando se soma aluguel alto, supermercado caro, combustível com valores semelhantes aos das capitais e poucas oportunidades de trabalho, forma-se um quadro preocupante: Cáceres vive um custo de vida elevado sem oferecer retorno econômico proporcional.

A comparação com cidades do interior, como Pontes e Lacerda, mostra que os preços já não são muito diferentes. Porém, o crescimento econômico, os investimentos e a geração de empregos nessas cidades avançam em ritmo mais acelerado do que em Cáceres.

O resultado desse desequilíbrio aparece de forma silenciosa, mas constante: famílias endividadas, jovens deixando a cidade, trabalhadores vivendo no limite e uma sensação crescente de estagnação. Cáceres deixou de ser uma cidade barata para viver, mas ainda não se tornou uma cidade próspera para trabalhar.

Sem políticas públicas sérias para enfrentar o custo de vida — especialmente no setor habitacional — o município corre o risco de aprofundar ainda mais esse paradoxo econômico, afastando oportunidades e empurrando sua população para fora.


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