Crise entre comunicador e vereadores cresce após novos episódios e reabre debate sobre ética, crítica e responsabilidade no serviço público

A sequência de episódios envolvendo um comunicador e alguns vereadores voltou a movimentar o cenário político de Cáceres. O caso, que começou durante a sessão da semana passada, ganhou novos desdobramentos e trouxe à tona discussões importantes sobre ética, responsabilidade e o limite entre crítica legítima e ataque pessoal.

O primeiro episódio: quando o debate saiu do controle

Durante a sessão anterior, o vereador Franco Valerio subiu à tribuna para justificar seu posicionamento e, inesperadamente, passou a dirigir críticas diretas a um comunicador que estava sentado em silêncio na plateia.
O profissional — que não havia se manifestado — acabou sendo citado nominalmente e acusado de gerar conflitos.

O caso repercutiu justamente porque confrontou duas questões sensíveis:
a liberdade de crítica e o dever de urbanidade de agentes públicos.

A segunda reação: Magali denuncia ataques pessoais

Horas depois, a vereadora licenciada e atual secretária de Assistência Social, Magali, publicou um vídeo afirmando que está processando o mesmo comunicador por ataques que, segundo ela, ultrapassaram o campo político e atingiram sua honra, sua dignidade enquanto mulher, profissional e pessoa pública.

Ela evitou entrar em detalhes, mas reforçou que os ataques não eram críticas administrativas — e sim ofensas de cunho pessoal.

O terceiro capítulo: novo vídeo de Franco Valerio reacende a crise

Nesta semana, o vereador Franco Valerio voltou ao assunto ao publicar um vídeo direcionado à população de Cáceres.
No conteúdo, ele mostra a imagem do comunicador e afirma:

“Atenção, Cáceres. Olhem o rosto dessa pessoa. Cuidado. Ele fala coisas pagas por um grupo, sem averiguar fatos, criticando uns e defendendo outros.”

A fala gerou nova onda de debates sobre os limites entre:

  • a liberdade de expressão,

  • a necessidade de ética da imprensa,

  • e o papel institucional dos representantes eleitos.

O que esse episódio revela

Embora cada agente envolvido tenha sua narrativa, o conjunto dos acontecimentos evidencia algo maior:
A urgência de recolocar o debate no eixo da ética, tanto para quem exerce mandato, quanto para quem comunica à população.

1. A crítica é parte fundamental da democracia

Servidores e agentes públicos têm o dever de estar abertos a questionamentos, opiniões divergentes e cobranças.

2. Mas crítica não é ataque pessoal

Há uma diferença clara entre:

  • crítica institucional (legítima),

  • opinião fundamentada (necessária),

  • e ofensa direcionada (inadmissível).

A crítica deve ser informativa, construtiva, responsável — nunca instrumento de guerra política, intimidação ou manipulação de qualquer grupo político que seja.

3. Jornalismo e comunicação exigem ética e imparcialidade

Quem comunica exerce influência direta sobre o debate público.
Por isso, tem o dever de:

  • checar fatos;

  • ouvir todos os lados;

  • não usar o microfone para atacar apenas alguns e blindar outros;

  • não se alinhar com grupos políticos para construir narrativas convenientes.

Crítica parcial deixa de ser crítica — vira instrumento político.

4. Vereadores também têm papel institucional de equilíbrio

Ao mesmo tempo em que precisam responder críticas e dialogar com a sociedade, espera-se de um parlamentar postura equilibrada, principalmente ao ocupar espaços oficiais ou se dirigir à população.

Reagir com firmeza não significa perder a compostura;
defender-se não significa ultrapassar limites.

E esse equilíbrio é justamente o que fortalece a autoridade moral do cargo.

Conclusão: Cáceres precisa de crítica — mas crítica com responsabilidade

O episódio todo deixa claro que a cidade não precisa de conflito raso, mas de um debate maduro, honesto e ético.

A imprensa, os comunicadores, os leitores e os vereadores desempenham papéis diferentes — mas todos fundamentais.

No fim das contas, o que fortalece a democracia não são ataques mútuos, e sim:

  • informação correta,

  • crítica construtiva,

  • ética profissional,

  • respeito às pessoas,

  • e responsabilidade no uso da palavra pública.

A discussão continua — mas agora, com um chamado claro para que ela ocorra no nível que Cáceres merece.


Leia mais em www.folhadecaceres.com.br
Siga @folhadecaceres nas redes sociais
Folha de Cáceres — a verdade doa a quem doer.



Postagem Anterior Próxima Postagem