Os debates acalorados têm se tornado rotina na Câmara Municipal de Cáceres — e a sessão desta semana não foi diferente. Logo após a apresentação do projeto de resolução da Mesa Diretora, que buscava autorizar a publicidade das oitivas da CPI das Obras Públicas, o clima se transformou rapidamente em tensão, confrontos verbais e divergências entre parlamentares.
A vereadora Elis, ao usar a tribuna, fez um desabafo: segundo ela, já se passou um mês inteiro com a CPI travada exatamente nesta mesma pauta, movendo-se em círculos e sem qualquer avanço prático.
Ela relembrou que, na primeira semana, quando o vereador Isaías presidia a sessão (em razão da ausência de Flávio Negação), ele recusou colocar o requerimento em votação alegando que, “por ser um requerimento”, não poderia ser incluído de última hora — apesar de isso ocorrer rotineiramente na Casa. Isaías orientou que o documento fosse reapresentado na semana seguinte, dentro do prazo regimental.
Quando a semana seguinte chegou, o requerimento entrou em pauta. Porém, a maioria dos vereadores mudou totalmente o argumento e afirmou que o instrumento estava errado: disseram que não poderia ser por requerimento, mas sim por projeto de lei, para evitar futuros entraves.
Atendendo à sugestão da maioria, um projeto de lei foi elaborado e apresentado. E, novamente, ao entrar em votação, já na outra semana, o tema causou nova onda de debates, acusações e divergências.
Elis pediu respeito e seriedade, afirmando que a CPI está parada há semanas por causa das mudanças de entendimento que surgem a cada sessão.
Oposição ao projeto se intensifica no plenário
O vereador Isaías, usando a tribuna, declarou voto contrário, justificando que “o regimento interno não pode ser alterado com tanta facilidade”.
Já o vereador Cezare Pastorelo foi direto: afirmou que “não adianta nada” aprovar o projeto se, em reuniões internas, os próprios vereadores reconheceram que a maioria que defende a publicidade vai perder politicamente dentro da CPI.
O vereador Domingos, visivelmente alterado, alegou que a Mesa Diretora “não tem poder para esse tipo de alteração”, ampliando a discussão sobre competência e limites regimentais.
O relator da CPI, vereador Jerônimo, rebateu dizendo que os parlamentares contrários à publicidade afirmam que os favoráveis estão “querendo mudar as regras do jogo com a partida em andamento”. Ele provocou:
“Uai… e não fizeram manobra para tirar um membro da CPI durante a partida?”
A fala intensificou o clima no plenário.
Negação reage: “A Câmara é uma Casa de Leis, não de apostas”
O presidente Flávio Negação interveio com firmeza ao perceber que o termo “jogo” repetia-se entre os vereadores:
“Peço que todos parem de dizer que isso aqui é um jogo. A Câmara é uma Casa de Leis, não uma casa de apostas.”
A declaração buscou conter o desgaste institucional — mas o ambiente já estava carregado.
Valdeníria diz que tornar oitivas públicas “não adianta nada”
A vereadora Valdeníria também se posicionou contra o projeto, afirmando que:
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tornar as oitivas públicas “não ajudaria em nada”;
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os vereadores têm obrigação de apresentar o relatório à população;
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e que alguns parlamentares estariam querendo transformar a CPI em “palco político”.
Projeto rejeitado e arquivado
Ao final da votação, o projeto foi reprovado pelos vereadores:
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Valdeníria Dultra
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Wesley
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Jorge
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Franco Valério
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Manga Rosa
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Marcos Ribeiro
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Isaías
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Domingos
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Clóvis Salvador
Com isso, o texto foi arquivado, e a CPI segue sem autorização para realizar oitivas públicas — completando mais um capítulo de um mês marcado por impasses, mudanças de entendimento e forte desgaste político.
A CPI continua avançando apenas internamente, e o cenário indica que o debate sobre transparência ainda está longe do fim.
A matéria segue em atualização com novos desdobramentos.
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