Uma decisão da Justiça determinou que o Estado do Maranhão anule a demissão do promotor público Celso Tertuliano da Cunha Magalhães, conhecido como Celso Magalhães, ocorrida em 29 de março de 1878. A decisão foi proferida em 29 de outubro de 2026, quase 148 anos depois do episódio, e atende a um pedido do Ministério Público do Maranhão (MPMA).
Na época, Celso Magalhães havia denunciado Ana Rosa Viana Ribeiro, posteriormente conhecida como Baronesa de Grajaú, por maus-tratos que teriam provocado a morte de Inocêncio, um menino escravizado de apenas sete anos.
O caso ganhou repercussão porque a demissão do promotor aconteceu menos de 24 horas depois de Carlos Fernando Ribeiro, marido de Ana Rosa, assumir a chefia da Província do Maranhão.
Segundo o Ministério Público do Maranhão, a exoneração foi uma retaliação política motivada pela atuação de Celso Magalhães na investigação contra a mulher do então chefe da Província.
Quase um século e meio depois, a decisão judicial determina que o Estado reconheça a irregularidade daquele ato e anule formalmente a demissão.
O episódio resgata um capítulo doloroso da história brasileira, marcado pela escravidão e pelas relações de poder da época. Também representa uma revisão judicial de uma punição aplicada a um agente público que, segundo o MPMA, foi afastado após denunciar a violência contra uma criança escravizada.
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