Vereador fez declaração durante debate sobre o apoio político da Prefeitura de Cáceres a Valmir Moretto e afirmou que grupos usam estruturas municipais para se manter no poder.
O vereador Césare Pastorello afirmou que a disputa eleitoral de 2028, quando Cáceres escolherá seu próximo prefeito, já começou nos bastidores da política. Durante pronunciamento na Câmara Municipal, ele fez acusações contra deputados e grupos políticos que, segundo sua avaliação, utilizariam prefeituras para viabilizar esquemas financeiros e garantir a continuidade de seus projetos eleitorais.
“Os deputados precisam ter suas prefeituras para lavar dinheiro”, declarou Pastorello, ao explicar o que considera uma relação entre recursos parlamentares, administrações municipais e a manutenção de grupos políticos no poder.
Segundo o vereador, deputados direcionam recursos aos municípios, mas a execução das despesas ocorre pelas estruturas das prefeituras. Ele alegou que esse mecanismo poderia ser utilizado para alimentar esquemas e favorecer a permanência de grupos políticos em cargos públicos. Pastorello, entretanto, não apresentou provas específicas dessas acusações no trecho de discurso analisado.
A declaração ocorreu no contexto de uma discussão sobre o apoio da administração municipal à eleição do deputado estadual Valmir Moretto, de Pontes e Lacerda. A vereadora Valdeniria havia cobrado que a prefeita e sua equipe demonstrassem, na busca por soluções para os problemas da saúde de Cáceres, o mesmo empenho político que, segundo ela, foi empregado durante a campanha eleitoral do parlamentar.
Pastorello ampliou a discussão e afirmou que o processo de sucessão municipal começa antes mesmo do período oficial das campanhas. Para ele, a relação entre deputados e prefeituras pode servir à construção de alianças que se prolongam de uma eleição para outra.
“Hoje o processo eleitoral de 2028 para a sucessão da Prefeitura de Cáceres já iniciou”, afirmou o vereador.
Pastorello também criticou a perpetuação de grupos políticos no poder. Ele reconheceu que não existem reeleições sucessivas ilimitadas para prefeitos, mas argumentou que grupos podem continuar controlando estruturas públicas mesmo quando há alternância formal de ocupantes dos cargos. O parlamentar afirmou que esse tipo de situação ocorre em diferentes regiões do país e disse que Mato Grosso também precisa ser observado nesse contexto.
O discurso, porém, traz um contraste político que merece atenção. Ao mesmo tempo em que critica a permanência prolongada de grupos no poder, Pastorello mencionou a vitória do presidente Lula e afirmou que poderia deixar de comemorar o resultado eleitoral.
As acusações sobre supostos esquemas envolvendo recursos públicos são graves e precisam ser tratadas como declarações do vereador, não como irregularidades comprovadas. A existência de emendas parlamentares e de transferências de recursos aos municípios, por si só, não caracteriza lavagem de dinheiro. Para confirmar eventuais crimes, seriam necessárias evidências e apuração pelos órgãos competentes.
O pronunciamento coloca em discussão a relação entre o poder municipal, os deputados estaduais e a construção de alianças eleitorais em Cáceres. Também levanta uma questão que deve ser respondida com transparência: como os recursos públicos destinados ao município são aplicados e quais mecanismos de fiscalização garantem que o dinheiro seja utilizado em benefício da população?
A Folha de Cáceres mantém espaço aberto para manifestações dos agentes públicos mencionados e para esclarecimentos sobre as acusações feitas durante a sessão.
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