Pacheco afirmou ter recebido relato de cirurgia que teria sido interrompida após quatro horas; parlamentares também falaram em falta de medicamentos, pressão sobre médicos e dificuldades enfrentadas por acompanhantes
A situação do Hospital Regional Dr. Antônio Fontes, em Cáceres, dominou parte da sessão da Câmara Municipal desta semana e resultou em uma sequência de denúncias feitas por vereadores.
O Hospital Regional está em processo de gestão pela Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (AGIR), dentro do Contrato de Gestão nº 001/2025 firmado com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso.
A fala mais grave partiu do vereador Pacheco Cabeleireiro.
Segundo ele, um print recebido de um grupo de médicos relata que uma profissional teria iniciado uma cirurgia, permanecido aproximadamente quatro horas no procedimento e não conseguido concluí-lo.
“Abandonou a cirurgia. Isso é caso de polícia. Isso é caso gravíssimo”, afirmou o vereador.
Pacheco não apresentou, durante a fala, identificação do paciente, da médica ou documentação clínica que permita à reportagem confirmar de forma independente as circunstâncias do episódio. Por isso, o caso é tratado como denúncia feita na tribuna, e não como fato comprovado.
MÉDICOS LOCAIS ESTARIAM SENDO PRESSIONADOS
O vereador também acusou a nova gestão de impor condições consideradas desfavoráveis a médicos que já atuavam em Cáceres.
Segundo Pacheco, profissionais estariam sendo chamados para trabalhar mais e receber menos, sob a possibilidade de serem substituídos caso não aceitassem as novas condições.
“Ou você assina o contrato ou você está fora”, resumiu o parlamentar ao relatar as reclamações que, segundo ele, chegaram até seu conhecimento.
“TIVERAM QUE FAZER UMA REBELIÃO”
As reclamações não ficaram restritas aos médicos.
O vereador Professor Domingos afirmou que acompanhou familiares internados na unidade e relatou dificuldades enfrentadas por acompanhantes.
Segundo ele, houve situação em que pessoas teriam precisado protestar porque café e pão não estariam sendo oferecidos, além de reclamações sobre falta de local adequado para permanência dos acompanhantes.
Domingos também afirmou que precisou comprar medicamento para uma paciente porque, segundo seu relato, o produto não estava disponível no hospital.
O vereador Isaías Bezerra também afirmou na tribuna que existem reclamações envolvendo falta de equipamentos, medicamentos e pressão sobre funcionários.
CÂMARA QUER RESPOSTAS
As manifestações mostram que a situação do Hospital Regional voltou ao centro das discussões políticas de Cáceres.
Os relatos feitos pelos vereadores são graves e precisam ser apurados individualmente.
Até porque, quando se trata de saúde pública, a discussão não pode terminar apenas na tribuna.
Se houve cirurgia interrompida, falta de medicamentos ou prejuízo ao atendimento, é preciso esclarecer exatamente o que aconteceu, quem tinha responsabilidade e quais providências foram tomadas.
A Folha de Cáceres deixa espaço aberto para manifestação da AGIR e da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso sobre as denúncias apresentadas pelos vereadores.
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