EM MEIO À POLARIZAÇÃO, PASTORELLO APOSTA EM CAMPANHA TÉCNICA E SEM ATAQUES EM CÁCERES

Candidato petista mantém estilo baseado em números, projetos e propostas; do outro lado do espectro político, Jerônimo também tem priorizado apresentação de pautas e contato com o eleitor

Em uma eleição marcada por polarização e confrontos, Cézare Pastorello (PT) tem seguido em Cáceres um caminho menos barulhento.

Conhecido pela atuação técnica na Câmara Municipal, Pastorello costuma trabalhar com números, documentos, requerimentos e projetos. Seu histórico legislativo registra mais de 1.000 proposições com sua assinatura, centenas delas de autoria principal, além de dezenas transformadas em normas.

Esse perfil aparece também na campanha.

Em vez de concentrar o discurso em ataques pessoais, Pastorello tem procurado apresentar propostas e sustentar posições com dados e argumentos. Isso não elimina as divergências políticas nem a rejeição que parte do eleitorado possa ter ao PT, mas permite separar a avaliação sobre o partido da avaliação sobre o próprio candidato.

E o interessante é que esse estilo não está restrito a um lado da disputa.

No campo político oposto, Jerônimo Gonçalves (PL) também tem conduzido sua campanha principalmente pela apresentação de propostas. No lançamento da candidatura, por exemplo, colocou saúde e desenvolvimento econômico entre as principais bandeiras, incluindo a defesa de um Centro de Hemodinâmica para Cáceres. 

Pastorello e Jerônimo estão em campos políticos bastante diferentes — um pelo PT, outro pelo PL —, mas ambos oferecem um exemplo de como campanhas podem ser feitas com propostas, projetos e confronto de ideias, sem depender o tempo todo de ataques pessoais.

Isso não significa que não haja críticas ou divergências. Jerônimo, por exemplo, tem feito críticas políticas duras ao cenário nacional e ao Judiciário em atos de campanha. 

Mas há diferença entre criticar posições e instituições e transformar toda a campanha em ataque pessoal contra adversários.

Em Cáceres, onde também existem candidaturas mais combativas, Pastorello e Jerônimo mostram que é possível disputar votos em lados opostos do espectro político mantendo boa parte da campanha centrada em propostas.

Talvez esse seja um dos pontos mais interessantes desta eleição local:

não é preciso concordar para fazer uma campanha civilizada.

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