APÓS QUASE 40 ANOS, SEMINÁRIO REVELA NOVA FASE DA ZPE DE CÁCERES: AGORA O DESAFIO É TRAZER INDÚSTRIAS

Com estrutura pronta, alfandegamento autorizado e primeira empresa instalada, evento deixou claro que a fase agora é outra: transformar a ZPE em produção, emprego e investimento

Depois de quase quatro décadas de espera, a ZPE de Cáceres entrou em uma nova fase. O desafio já não é mais tirar o projeto do papel, concluir obras ou conseguir o alfandegamento. Agora, a missão é outra: atrair empresas para dentro da área e fazer a estrutura funcionar de fato como polo industrial e exportador.

Esse foi um dos principais recados deixados pelo seminário sobre oportunidades e vantagens da ZPE de Cáceres, que reuniu autoridades, representantes do setor produtivo, Receita Federal, Governo do Estado, empresários e integrantes do Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação. 

Durante o evento, foi destacado que Cáceres já integra o grupo das poucas ZPEs consideradas ativas no país, com obras concluídas e alfandegamento autorizado pela Receita Federal. A área também já conta com uma empresa instalada, a TRC. 

Mas justamente aí começa a parte mais difícil.

O presidente da Associação Brasileira das ZPEs, Elson Braga, resumiu o novo momento ao afirmar que não adianta toda a estrutura estar pronta se novas empresas não forem instaladas no local. A prioridade agora é ocupar a área, atrair indústrias e transformar os incentivos existentes em atividade econômica real. 

O secretário-executivo do Conselho Nacional das ZPEs, Fábio Pusci, também reforçou que o programa entrou em uma nova fase no Brasil e que Cáceres está em vantagem por já estar pronta para receber investimentos. Segundo ele, a ZPE local possui estrutura, alfandegamento e caminho institucional definido para novos projetos empresariais. 

Entre os atrativos apresentados estão desonerações tributárias, segurança jurídica, facilitação aduaneira e possibilidade de importação de máquinas, equipamentos e insumos dentro do regime especial.

A discussão, no entanto, mostrou que o maior desafio agora não está mais na legislação ou na obra física.

Está em convencer empresários a investir em Cáceres.

O evento também apresentou novas ferramentas para facilitar esse processo, como uma plataforma desenvolvida com participação da Unemat para auxiliar interessados na elaboração e encaminhamento de projetos para instalação na ZPE.

Depois de décadas marcadas por promessa, atraso e expectativa, a ZPE finalmente chegou ao ponto em que precisa provar sua capacidade de gerar resultado.

A estrutura existe.

A legislação existe.

Os incentivos existem.

Agora, o sucesso ou o fracasso da ZPE de Cáceres será medido pela quantidade de empresas que conseguirá atrair, pelos empregos que serão criados e pelo volume de produção que efetivamente sairá de dentro da área.

Esse foi, talvez, o recado mais importante deixado pelo seminário.

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