Enquanto Flávio Bolsonaro tenta concentrar votos da direita para enfrentar Lula, disputa pelo Governo de MT também tem diferentes candidaturas competindo por parcelas próximas do eleitorado
A discussão sobre o chamado “voto útil” ganhou espaço na reta final da eleição presidencial, mas o debate sobre concentração ou divisão de votos também encontra um paralelo interessante em Mato Grosso.
No cenário nacional, apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) vêm defendendo que eleitores de outros candidatos identificados com a direita concentrem seus votos no candidato do PL já no primeiro turno. A estratégia busca ampliar sua votação diante de Lula (PT), que aparece ao lado de Flávio nas primeiras posições das pesquisas nacionais.
O movimento não é apenas espontâneo nas redes sociais. O próprio Flávio já pediu publicamente votos de eleitores de outras candidaturas, e campanhas adversárias passaram a acompanhar a ofensiva.
Em Mato Grosso, embora a disputa tenha características próprias, existe uma questão semelhante para o eleitor analisar: até que ponto a existência de várias candidaturas disputando parcelas próximas do eleitorado interfere no resultado do primeiro turno?
Wellington é o candidato do PL em Mato Grosso
Na eleição estadual, quem representa o PL na disputa pelo Governo é o senador Wellington Fagundes.
A lista oficial divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso mostra seis candidatos: Otaviano Pivetta (Republicanos), Rafaell Milas (Missão), Wellington Fagundes (PL), Mauricio Coelho (Mobiliza), Sargento Laudicério (Agir) e Doutora Natasha (PSD).
Pivetta, atual governador, disputa a reeleição pelo Republicanos. Wellington encabeça a coligação Coração da Gente, enquanto Pivetta lidera a coligação Mato Grosso Não Pode Parar.
Portanto, diferentemente da eleição presidencial, não seria correto simplesmente dividir a disputa estadual entre “direita e esquerda”. Existem partidos, alianças e candidaturas distintas competindo pelo mesmo eleitorado, e a decisão sobre eventual segundo turno dependerá dos votos efetivamente depositados nas urnas.
Pesquisa mostra votos distribuídos
A pesquisa Real Time Big Data divulgada em 3 de setembro ajuda a visualizar essa divisão.
No levantamento estimulado, Wellington Fagundes aparecia com 34%, Otaviano Pivetta com 27% e Doutora Natasha com 13%. Outros 11% não sabiam ou não responderam e 10% declararam voto branco ou nulo.
Esses números são uma fotografia daquele momento da campanha, e não uma previsão do resultado da eleição.
Mas mostram por que a discussão sobre concentração de votos pode aparecer também na campanha estadual: quando existem vários candidatos, o comportamento dos eleitores das candidaturas menores pode influenciar quais nomes avançarão para um eventual segundo turno.
No Brasil, discussão ficou ainda mais evidente
Na disputa presidencial, o debate ganhou dimensão nacional justamente porque Lula e Flávio Bolsonaro concentram a maior parcela das intenções de voto, enquanto outros candidatos tentam manter seus próprios eleitores.
O agregador de pesquisas do UOL, atualizado em 21 de setembro, reunia levantamentos registrados no TSE e apontava 38,8% para Lula e 34,4% para Flávio no primeiro turno. Trata-se de uma consolidação de pesquisas, e não de resultado eleitoral ou previsão de quem vencerá.
É nesse espaço que surge a disputa pelo chamado voto útil.
Para vencer uma eleição majoritária no primeiro turno, porém, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. Caso isso não aconteça, os dois mais votados seguem para o segundo turno.
A pergunta agora é para onde vão esses votos
Tanto no cenário nacional quanto no estadual, portanto, existe uma questão que somente as urnas poderão responder: os eleitores permanecerão com seus candidatos até o fim ou haverá concentração de votos na reta final?
Comentários nas redes sociais podem indicar mobilização política, mas não são suficientes para comprovar uma mudança no comportamento do eleitorado. Para saber se o movimento pelo voto útil realmente está alterando a disputa, será necessário observar as próximas pesquisas e, definitivamente, o resultado das urnas em 4 de outubro.
Em Mato Grosso, onde seis candidatos disputam o Governo, essa movimentação também merece atenção.
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