Por Eurimar da Folha (Záiyt)
Faltam 11 dias para a eleição.
Onze.
E eu tenho a impressão de que, enquanto alguns já estão brigando por candidato como se estivessem defendendo alguém da própria família, uma parcela enorme da população ainda não parou para responder uma pergunta muito mais importante:
Em quem eu vou votar para deputado estadual?
E vou além.
Se eu perguntar hoje em quem você votou para deputado estadual quatro anos atrás, você lembra?
Porque talvez aí esteja uma parte do problema político de Cáceres.
Nós passamos quatro anos reclamando que a cidade não tem força política suficiente, que outras regiões conseguem mais espaço, que determinados municípios têm representantes que brigam por eles, que Cáceres precisa de alguém na Assembleia.
A eleição chega.
E fazemos o quê?
Muitas vezes deixamos para escolher candidato na última semana. Às vezes, no último dia. Em alguns casos, a decisão vem porque um amigo mandou o número pelo WhatsApp, alguém pediu um voto ou determinada liderança recomendou.
Isso não é analisar um candidato.
É terceirizar o voto.
Cáceres corre novamente o risco da pulverização
O problema fica ainda mais evidente quando olhamos para a quantidade de candidaturas ligadas ao município.
Ainda durante a pré-campanha houve uma tentativa de diminuir o número de candidatos locais a deputado estadual. Não houve acordo. A imprensa registrou pelo menos 12 pré-candidaturas naquele momento.
Depois vieram convenções, desistências, substituições e candidaturas efetivamente registradas.
Ou seja: opção existe.
O que falta saber é se o eleitor está estudando essas opções.
E aqui não estou dizendo que o cacerense tem obrigação de votar em candidato de Cáceres.
Não tem.
O voto é seu.
Se depois de analisar os candidatos você concluir que alguém de Cuiabá, Pontes e Lacerda, Várzea Grande ou qualquer outro município representa melhor aquilo em que você acredita, vote nele.
Mas faça isso sabendo por quê.
Antes de escolher, olhe o que cada um já fez
Túlio Fontes já foi prefeito de Cáceres e está novamente na disputa, agora buscando uma cadeira na Assembleia.
Jerônimo Gonçalves exerce mandato de vereador e colocou entre suas propostas de campanha saúde e desenvolvimento econômico, incluindo a defesa da implantação de um Centro de Hemodinâmica em Cáceres. Politicamente, também mantém alinhamento público com candidaturas e pautas do PL.
Valdeníria tem uma trajetória completamente diferente. Está no sétimo mandato como vereadora de Cáceres e tenta transformar essa longa experiência no Legislativo municipal em uma cadeira na Assembleia.
Marcinho Lacerda, por sua vez, é ex-vereador, ex-presidente da Câmara e presidente do MDB municipal. Sua candidatura também foi oficializada para a disputa estadual.
Esses são fatos.
A partir daí cabe ao eleitor fazer aquilo que muitas vezes não fazemos: comparar.
O que cada um apresentou?
Como votou quem já teve mandato?
O que fiscalizou?
Que projetos defendeu?
Quais grupos políticos estão por trás de cada candidatura?
Quem financia a campanha?
Que compromissos assumiu?
E, principalmente: o que pretende fazer por Cáceres e pela região Oeste se chegar à Assembleia?
Não aceite apenas santinho.
Pergunte.
E os candidatos de fora?
Também existem políticos de outras cidades que historicamente recebem votos em Cáceres e na região Oeste.
Alguns direcionaram recursos para o município e isso também deve entrar na análise do eleitor.
A própria Prefeitura mantém em seu Portal da Transparência documentos referentes às emendas parlamentares recebidas pelo município. Portanto, é possível conferir quem efetivamente destinou recursos e não depender apenas da propaganda eleitoral.
Eduardo Botelho, por exemplo, é um dos deputados que aparecem nesse debate local sobre recursos destinados a Cáceres.
Valmir Moretto também possui presença política forte na região Oeste e disputa votos nesse território.
Moretto, entretanto, também atravessou neste ano uma controvérsia depois de uma fala captada por microfone aberto durante evento oficial envolvendo resultado de licitações. Ele negou participação societária nas empresas mencionadas e afirmou que sua declaração foi um “vício de linguagem”. É justamente esse tipo de episódio que o eleitor deve conhecer e avaliar junto com a atuação parlamentar, propostas e histórico do candidato — sem transformar acusação em condenação.
O problema não é ter muitos candidatos. É votar sem saber
Talvez esse seja o ponto central.
Democracia pressupõe opções.
O problema de Cáceres não é simplesmente possuir vários candidatos.
O problema aparece quando temos vários candidatos, os votos se espalham e uma parcela do eleitorado sequer conhece aqueles em quem poderia votar ou deixa para decidir na última hora.
Uma pesquisa estadual divulgada neste mês ajuda a mostrar como ainda existe espaço para indecisão. No levantamento espontâneo do Instituto Percent Brasil, 52% dos entrevistados não souberam ou não quiseram apontar espontaneamente um nome para deputado estadual. No mesmo levantamento, entre os nomes de Cáceres que apareceram estavam Túlio Fontes, com 0,3%, e Jerônimo Gonçalves, com 0,2%, ambos com mais intensões de votos em todo o estado, inclusive de um nome ja consolidado como o Cattani que já é deputado e busca uma reeleição.
São números estaduais e não podem ser tratados como intenção de voto especificamente em Cáceres.
Mas revelam algo importante: a eleição proporcional ainda está muito distante da cabeça de muita gente.
Faltam 11 dias
Então talvez esteja na hora de parar por alguns minutos.
Esqueça o adesivo.
Esqueça quem pediu.
Esqueça a amizade.
Esqueça até o candidato que eu, Eurimar, possa gostar ou não gostar.
Abra a lista.
Pesquise.
Veja quem são os candidatos.
Procure o histórico.
Veja quem já teve mandato e o que fez.
Leia as propostas de quem nunca teve.
Confira os recursos destinados por aqueles que pedem voto aqui mesmo sendo de outras cidades.
E faça uma escolha consciente.
Porque depois do dia 4 de outubro, serão quatro anos.
E existe uma pergunta que Cáceres precisa começar a responder antes de reclamar que não possui representação:
Nós estamos escolhendo nossos representantes ou simplesmente estamos entregando nosso voto para quem pediu primeiro?
A eleição está aí.
Faltam 11 dias.
Ainda dá tempo de pensar.
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