Pequenos pecuaristas terão apoio diferenciado para se adequar às novas exigências em Mato Grosso

Botelho cobra do Imac estratégias específicas para ajudar pequenos produtores na implantação do Passaporte Verde e da rastreabilidade do rebanho

Os pequenos pecuaristas de Mato Grosso poderão contar com estratégias e apoio diferenciados para se adequar às novas exigências de rastreabilidade do rebanho. A necessidade de criar soluções específicas para esse grupo foi discutida nesta segunda-feira (23), durante reunião entre o presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Caio Penido, e o deputado estadual Eduardo Botelho (União), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

Durante o encontro, Botelho pediu ao Imac que considere as diferenças entre os grandes e pequenos produtores na implantação do Passaporte Verde, sistema estadual de rastreabilidade individual do rebanho.

Para o parlamentar, não é possível exigir dos pequenos pecuaristas as mesmas condições de adaptação disponíveis aos grandes produtores.

“O pequeno produtor não pode ser tratado de forma igual ao grande, porque as condições são diferentes. Precisamos de um trabalho diferenciado, com apoio técnico e soluções viáveis para que ele consiga se adequar às exigências sem ser prejudicado”, defendeu Botelho.

Implantação será gradual

Caio Penido explicou que o Passaporte Verde está alinhado ao Plano Nacional de Identificação Individual e será implantado de maneira gradual em Mato Grosso.

Segundo ele, inicialmente haverá um período de adesão voluntária, antes que a identificação individual dos animais passe a ser obrigatória.

O Imac também está acompanhando a situação das propriedades para identificar quantos pequenos produtores ainda precisam se regularizar e qual é o potencial de adesão ao programa.

A expectativa, conforme Penido, é que durante o período de adaptação novas tecnologias possam facilitar o processo e diminuir os custos e a complexidade para os pequenos pecuaristas.

Entre as possibilidades citadas está até mesmo o uso de biometria do focinho dos animais como alternativa para identificação individual do rebanho.

Produtor é o elo mais vulnerável

Outro assunto discutido foi a relação entre pecuaristas e frigoríficos, especialmente em relação à pesagem e avaliação das carcaças.

Botelho destacou que o produtor é o elo mais frágil da cadeia e que os pequenos acabam tendo menos poder de negociação diante dos frigoríficos.

“O produtor é o elo mais fraco da cadeia. Ele entrega o gado e não consegue acompanhar a pesagem e o rendimento. Os pequenos são os mais prejudicados, porque os grandes têm maior poder de negociação”, afirmou.

O deputado defendeu ainda o fortalecimento de mecanismos que aumentem a transparência na comercialização do gado e citou a possibilidade de avanço na criação e fortalecimento de cooperativas, que poderiam ampliar o poder de negociação dos pequenos produtores.

Objetivo é modernizar sem deixar o pequeno para trás

A discussão ocorre em um momento de mudanças importantes na pecuária mato-grossense, com a implantação de mecanismos de rastreabilidade e identificação individual dos animais.

Para Botelho, a modernização da cadeia produtiva precisa caminhar junto com medidas que permitam a participação dos pequenos produtores.

“Nosso objetivo é garantir que Mato Grosso continue líder na produção de carne com qualidade e sustentabilidade, sem deixar o pequeno produtor para trás”, concluiu o deputado.

A proposta defendida no encontro é que a implantação das novas exigências seja acompanhada de orientação técnica, novas tecnologias e alternativas que levem em consideração a realidade econômica e estrutural dos pequenos pecuaristas.

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