Jerônimo usa discurso do próprio colega para provocar em plenário; fala arrancou risadas dos vereadores.
Um momento de descontração e ironia envolvendo o vereador Jorge Augusto, que há meses vem defendendo na tribuna uma posição contrária ao uso de requerimentos como instrumento de fiscalização do Poder Executivo, acabou vindo a tona.
Desde o início da atual legislatura, Jorge tem sustentado que muitos assuntos podem ser resolvidos diretamente com os secretários municipais, sem a necessidade de formalizar requerimentos. Para ele, o diálogo seria suficiente para esclarecer dúvidas e resolver demandas, evitando o que considera excesso de burocracia.
A posição já gerou debates em outras sessões, especialmente entre vereadores que defendem que os requerimentos são uma das principais ferramentas de fiscalização do Legislativo, justamente por produzirem respostas oficiais e documentadas.
"Essa é pra você, Jorge"
Durante a sessão, Jorge apresentou uma indicação ao Executivo. Foi nesse momento que o vereador Jerônimo Gonçalves pediu a fala e aproveitou a oportunidade para fazer uma provocação.
Em tom de deboche, dirigiu-se ao colega:
"Essa é pra você, Jorge."
Na sequência, lembrou o posicionamento que Jorge vem adotando contra os requerimentos e afirmou que utilizaria o mesmo raciocínio para as indicações.
Segundo Jerônimo, se o entendimento é de que não há necessidade de formalizar requerimentos porque basta conversar com o secretário "no ouvidinho", então também não haveria motivo para apresentar indicações ao Executivo.
"Era só chegar no ouvido do secretário e pedir para ele fazer, igual você diz que deve ser feito com os requerimentos", ironizou.
A fala provocou risadas entre os vereadores e também no plenário.
Fiscalização por documento ou por conversa?
A provocação foi além do humor.
Jerônimo argumentou que existe uma diferença importante entre uma conversa informal e um documento oficial.
Segundo ele, quando um vereador apresenta um requerimento, a resposta do Executivo fica registrada oficialmente, permitindo fiscalização, acompanhamento e eventual responsabilização futura.
Já uma resposta dada apenas em conversa não gera qualquer documento oficial que possa ser utilizado posteriormente.
A fala reforçou o debate que vem dividindo opiniões dentro da Câmara desde o início da legislatura.
Debate continua
Embora o momento tenha sido marcado pelo bom humor, a discussão revela duas visões diferentes sobre o papel do vereador.
De um lado, Jorge Augusto continua defendendo que muitas situações podem ser resolvidas por meio do diálogo direto com os secretários, dispensando a formalização de requerimentos.
Do outro, parlamentares como Jerônimo sustentam que a fiscalização precisa ser documentada, pois somente respostas oficiais garantem transparência, controle e prestação de contas à população.
O episódio terminou em clima descontraído, mas deixou registrada mais uma divergência sobre a forma como o Legislativo deve exercer uma de suas principais funções: a fiscalização dos atos do Poder Executivo.


