Gol do Brasil, buzinaços, música alta, visitas chegando, crianças correndo, gente gritando e rojões explodindo. Para boa parte da população, esse é o retrato de uma grande festa. Para muitos animais e pessoas com sensibilidade sensorial, porém, o cenário pode ser de verdadeiro sofrimento.
E o maior vilão nem sempre são apenas os fogos de artifício.
O problema costuma ser a soma dos estímulos: casa cheia, pessoas desconhecidas, mudança na rotina, televisão em volume elevado, carros com som alto passando pelas ruas, motocicletas acelerando, gritos de comemoração e explosões. Tudo isso pode desencadear crises de ansiedade e estresse.
Nos animais, os sinais muitas vezes são discretos e acabam ignorados pelos tutores.
Nos cães, é comum observar:
🐶 Tremores;
🐶 Respiração ofegante;
🐶 Orelhas abaixadas;
🐶 Rabo entre as pernas;
🐶 Tentativas constantes de buscar abrigo.
Já nos gatos, os comportamentos mais frequentes são:
🐱 Esconder-se em armários, debaixo de camas ou móveis;
🐱 Pupilas dilatadas;
🐱 Postura encolhida;
🐱 Tensão muscular;
🐱 Redução da alimentação e do contato com pessoas.
Veterinários alertam que animais que aparentemente não possuem medo podem desenvolver aversão a determinados sons após experiências negativas intensas. Um único episódio marcado por explosões, gritos e movimentação excessiva pode ser suficiente para desencadear ou agravar quadros de ansiedade em alguns indivíduos.
Mas não são apenas cães e gatos que sofrem.
Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), transtorno do processamento sensorial, deficiência intelectual, idosos com demência, pacientes com enxaqueca crônica e indivíduos com hipersensibilidade auditiva também podem apresentar grande desconforto diante de ambientes muito estimulantes.
Entre as reações mais comuns em pessoas autistas estão:
🧩 Cobrir os ouvidos;
🧩 Choro;
🧩 Agitação intensa;
🧩 Crises de ansiedade;
🧩 Necessidade de se isolar em ambientes silenciosos.
No início da Copa do Mundo, o jornalista Eurimar da Folha de Cáceres, (instagram: @eurimardafolha) chegou a publicar um vídeo reunindo imagens e depoimentos mostrando o impacto das comemorações barulhentas sobre animais, crianças autistas e famílias que convivem diariamente com a hipersensibilidade sensorial.
Nas redes sociais, a publicação sensibilizou muitos internautas. Na prática, porém, pouco parece ter mudado. Mesmo após anos de campanhas educativas, continuam sendo comuns buzinaços, som automotivo em alto volume e explosões durante jogos da seleção brasileira.
A legislação também avançou. Em Mato Grosso, a Lei Estadual nº 12.155/2023 proibiu fogos de artifício com estampido e artefatos pirotécnicos de efeito sonoro ruidoso. Permanecem autorizados apenas os fogos que produzem efeitos visuais sem explosões.
Talvez seja hora de compreender que comemorar não precisa significar provocar sofrimento.
Afinal, enquanto muitos vibram por um gol, outros apenas desejam que o barulho termine logo.
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