A coletiva de imprensa realizada após a apresentação do relatório final da CPI das Obras Públicas continuou produzindo declarações fortes por parte do secretário municipal de Educação, Fransergio.
Em um dos momentos mais contundentes da entrevista, o secretário afirmou que a comissão deixou de atuar apenas como instrumento de fiscalização e passou a ser utilizada como ferramenta de desgaste político contra a prefeita Eliene Liberato.
Segundo ele, dois dos principais nomes ligados aos trabalhos da CPI já integraram administrações municipais e acabaram deixando seus cargos após episódios que geraram repercussão política. Na avaliação de Fransergio, essas situações teriam gerado mágoas que hoje estariam refletindo na condução dos trabalhos da comissão.
"Perderam os limites", afirmou o secretário ao comentar o que considera uma escalada de ataques pessoais contra a prefeita.
"Passou da política para o pessoal"
Durante a coletiva, Fransergio disse acreditar que parte das críticas deixou de ser administrativa ou política e passou a atingir diretamente a figura da prefeita.
Segundo ele, a intensidade dos ataques chama atenção e, em sua avaliação pessoal, existe também um componente relacionado ao fato de Eliene ser mulher.
O secretário afirmou que o debate deveria permanecer no campo técnico e administrativo, sem avançar para ataques pessoais.
Comissão Processante só fortalece adversários, diz secretário
Fransergio também comentou as discussões sobre uma possível Comissão Processante contra a prefeita.
Segundo ele, a abertura desse tipo de procedimento teria muito mais efeito político do que prático neste momento.
Na avaliação do secretário, uma eventual comissão acabaria servindo para fortalecer adversários políticos da gestão.
Por esse motivo, afirmou confiar mais na atuação dos órgãos de controle e fiscalização.
"Eu confio no Ministério Público", declarou.
Segundo ele, os fatos apresentados pela CPI serão analisados tecnicamente pelos órgãos competentes, que poderão verificar se realmente existem irregularidades ou não.
Crítica à auditoria de R$ 120 mil
Outro ponto que chamou atenção foi a crítica feita pelo secretário à auditoria contratada pela CPI.
Fransergio afirmou que a comissão teve meses para realizar os levantamentos, contou com uma empresa especializada contratada por aproximadamente R$ 120 mil e, ainda assim, segundo ele, deixou de observar documentos que estariam disponíveis nos próprios processos analisados.
Na visão do secretário, isso comprometeria parte das conclusões apresentadas.
"Se é para falar de dinheiro público, talvez o primeiro ponto que deveria ser investigado seja justamente esse contrato da auditoria", afirmou.
"Foi amador"
Ao comentar os trabalhos desenvolvidos pela empresa contratada para auxiliar a CPI, Fransergio foi ainda mais direto.
Segundo ele, a auditoria apresentou falhas básicas de análise documental e deixou de considerar informações que estariam acessíveis à própria comissão.
Por isso, classificou parte do trabalho como "amador".
Apesar das críticas, o secretário afirmou que pretende colaborar com todas as investigações que venham a ser abertas e reiterou sua confiança de que os órgãos de controle irão analisar os fatos de forma técnica, garantindo espaço para esclarecimentos e defesa dos envolvidos.

