Estudo encontra resíduos de agrotóxicos em biscoitos, bolos e hambúrgueres vegetais vendidos no Brasil

Um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) identificou a presença de resíduos de agrotóxicos em diversos alimentos ultraprocessados comercializados no país, incluindo biscoitos, bolos industrializados, presuntos e produtos à base de plantas.

Entre os produtos analisados, os biscoitos tipo maisena das marcas Marilan e Triunfo apresentaram resíduos de quatro diferentes agrotóxicos. Hambúrgueres vegetais da Sadia e empanados vegetais da Seara registraram a presença de três substâncias, enquanto empanados vegetais da Sadia continham resíduos de dois defensivos agrícolas.

Segundo o estudo, o composto mais frequentemente encontrado foi o glifosato, herbicida amplamente utilizado na agricultura brasileira.

O que dizem os especialistas?

O glifosato foi classificado em 2015 pela Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), como substância "provavelmente carcinogênica para humanos".

No entanto, outras entidades reguladoras internacionais, como a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), entendem que não existem evidências suficientes para classificar o produto como causador de câncer quando utilizado dentro dos limites considerados seguros.

Ultraprocessados preocupam especialistas

Além da presença eventual de resíduos de agrotóxicos, médicos e nutricionistas alertam que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados está associado ao aumento do risco de obesidade, diabetes, hipertensão e algumas formas de câncer.

Especialistas recomendam priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes e carnes frescas, reduzindo a ingestão de produtos industrializados.

O estudo reacende um debate antigo no país: até que ponto os limites permitidos de agrotóxicos são suficientes para garantir segurança alimentar à população e qual deve ser o equilíbrio entre produtividade agrícola e proteção da saúde pública.

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