Mato Grosso pode viver, no segundo semestre de 2026, um dos períodos mais críticos de calor e incêndios florestais das últimas décadas. Um levantamento do Boletim de Risco de Fogo, elaborado pela consultoria GMG Ambiental, aponta que os termômetros poderão atingir marcas entre 44°C e 45°C, enquanto os focos de calor podem aumentar entre 30% e 80% acima da média histórica.
Segundo a análise, a combinação entre seca prolongada, baixa umidade do ar e a possibilidade de um evento climático conhecido como Super El Niño cria uma verdadeira "rota de colisão com o fogo", colocando em risco biomas estratégicos como a Amazônia Legal, o Cerrado e o Pantanal.
Agosto e setembro devem ser os meses mais críticos
O estudo aponta que o período entre 12 e 26 de agosto deverá marcar o início da fase mais perigosa para incêndios no Estado. Já setembro é apontado como o mês com maior potencial para quebrar recordes históricos de temperatura e queimadas.
Especialistas alertam que, nessas condições, o fogo pode apresentar comportamento extremo, ultrapassando aceiros, estradas e até rodovias devido à combinação de ventos fortes e vegetação extremamente seca.
O que é o Super El Niño?
O fenômeno ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Segundo nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), modelos internacionais indicam a possibilidade de um evento muito intenso entre 2026 e 2027, embora os próprios pesquisadores ressaltem que previsões feitas com tanta antecedência ainda apresentam elevado grau de incerteza.
Caso o cenário se confirme, regiões como Norte, Centro-Oeste e parte do Nordeste brasileiro podem enfrentar redução das chuvas e aumento das temperaturas, favorecendo secas severas e maior risco de incêndios florestais.
Pantanal e Amazônia preocupam autoridades
O alerta é especialmente importante para Mato Grosso, que abriga parte de dois dos principais biomas brasileiros. Em 2024, o Pantanal enfrentou uma das maiores crises ambientais de sua história recente, com incêndios de grandes proporções e prejuízos à fauna, à flora e às comunidades locais.
Diante das previsões para 2026, especialistas reforçam a necessidade de medidas preventivas, como manutenção de aceiros, suspensão de queimadas para limpeza de áreas e fortalecimento das brigadas de combate ao fogo.
Mas ainda há uma ressalva importante
Apesar dos alertas, o próprio Cemaden destaca que não é possível afirmar que todos esses cenários extremos irão necessariamente acontecer. Segundo o órgão, o El Niño aumenta a probabilidade de determinados eventos climáticos, mas não permite prever com absoluta certeza a ocorrência de secas ou queimadas em locais específicos.
Mesmo assim, a combinação entre altas temperaturas, baixa umidade e vegetação seca já coloca Mato Grosso em estado de atenção para os próximos meses.
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