Regional é interditado em Colíder acende alerta para Cáceres: saúde não pode esperar a crise estourar

A interdição sanitária do Hospital Regional de Colíder acendeu um alerta que vai além da região Norte de Mato Grosso.

Segundo reportagem do RDNews, a unidade foi parcialmente interditada após a Vigilância Sanitária Estadual identificar 228 irregularidades sanitárias e estruturais, incluindo problemas de biossegurança, falhas no armazenamento de alimentos, equipamentos enferrujados, descarte inadequado de lixo hospitalar, freezer danificado e até infestação de pragas.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque, antes da interdição, já existiam denúncias administrativas envolvendo a direção da unidade. Servidores relataram, em documento encaminhado a órgãos competentes, situações como assédio moral, perseguição, centralização de decisões, falta de diálogo, demora em atos administrativos e ausência de materiais básicos.

É o tipo de situação que mostra uma coisa simples: problema em hospital público raramente aparece de uma hora para outra.

Normalmente, ele começa com reclamação de servidor, depois vira denúncia de paciente, passa por cobrança de sindicato, chega aos órgãos de controle e, quando não há resposta suficiente, pode terminar em medida extrema.

Foi o que aconteceu em Colíder.

E é justamente por isso que Cáceres precisa olhar para esse caso com atenção.

O Hospital Regional de Cáceres é referência para 23 municípios das macrorregiões Oeste e Sudoeste de Mato Grosso e atende uma população estimada em cerca de 400 mil habitantes, segundo informações da própria Secretaria de Estado de Saúde.

Ou seja, qualquer problema na unidade não atinge apenas Cáceres. Atinge toda uma região que depende do hospital para atendimentos de média e alta complexidade, urgência, emergência, internação e serviços especializados.

Nos últimos meses, o Hospital Regional de Cáceres também apareceu em denúncias e questionamentos públicos.

Em fevereiro, o SISMA-MT informou ter se reunido com a empresa que administra o hospital para cobrar soluções imediatas após denúncias de servidores.

Em março, uma denúncia sobre possível direcionamento e conflito de interesses na gestão do Hospital Regional de Cáceres foi aceita para análise pelo Tribunal de Contas do Estado. O caso envolve o chamamento público da Secretaria de Estado de Saúde que resultou na contratação da OSS AGIR para administrar a unidade por 36 meses, em contrato de R$ 669 milhões. O pedido de suspensão imediata do contrato foi negado, mas a apuração seguiu em análise.

Em abril, outra reportagem apontou que o ex-diretor do Hospital Regional de Cáceres passou a integrar a estrutura da AGIR no mesmo dia em que sua exoneração foi publicada, fato citado em denúncia analisada pelo TCE.

Isso não significa que Cáceres esteja na mesma situação sanitária de Colíder.

Também não significa que haverá interdição.

Mas significa que há sinais suficientes para exigir atenção, transparência e fiscalização permanente.

A experiência de Colíder mostra que, quando problemas administrativos, denúncias internas e falhas estruturais são tratados como casos isolados, a crise pode avançar até comprometer o atendimento da população.

Em Cáceres, a responsabilidade é ainda maior porque o hospital atende uma região inteira.

Se o Regional falha, o impacto não fica dentro dos muros da unidade.

Chega ao paciente que espera cirurgia.

Chega à família que busca atendimento de urgência.

Chega ao servidor que trabalha sob pressão.

Chega aos municípios vizinhos que dependem da estrutura hospitalar de Cáceres.

Por isso, o caso de Colíder deve servir como alerta.

Não para criar pânico.

Mas para cobrar prevenção.

Hospital público precisa de gestão eficiente, fiscalização constante, escuta aos servidores, respeito aos pacientes e transparência nos contratos.

Quando a população só fica sabendo dos problemas depois de uma interdição, é porque muita coisa já falhou antes.

Cáceres ainda tem tempo de evitar que denúncias virem crise maior.

Mas para isso, é preciso que Estado, empresa gestora, órgãos de controle, vereadores, Ministério Público, sindicatos e sociedade acompanhem de perto o funcionamento do Hospital Regional.

Na saúde, esperar o problema explodir costuma sair caro.

E quem paga a conta, quase sempre, é o paciente.


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