Cáceres pode passar a discutir uma solução mais moderna para reduzir os alagamentos que atingem a cidade durante o período de chuvas: a implantação de bacias de retenção e amortecimento no entorno do perímetro urbano.
A proposta foi apresentada na Câmara Municipal por meio de indicação que pede a realização de um estudo técnico especializado em drenagem urbana e manejo de águas pluviais.
A ideia é contratar uma empresa de engenharia para avaliar pontos estratégicos ao redor da cidade, especialmente nas regiões mais altas, de onde a água da chuva desce em direção ao perímetro urbano.
Segundo o vereador Eng. Wesley Lopes, Cáceres é cercada por áreas de aclive e morrarias. Quando chove nessas regiões, grande parte da água escoa em direção à cidade antes de chegar ao Rio Paraguai.
Esse volume acaba entrando nos canais urbanos, sobrecarregando a drenagem existente e dificultando o escoamento da própria água da chuva que cai dentro da cidade.
Na fala em plenário, Wesley lembrou que Cáceres tem o privilégio de estar às margens do Rio Paraguai, o que garante belezas naturais e importância histórica ao município. Mas, ao mesmo tempo, essa localização também coloca a cidade no caminho das águas que descem das regiões mais altas até o rio.
O problema é que, quando essa água chega de uma vez aos canais e galerias, o sistema não consegue dar vazão suficiente.
O resultado aparece em forma de alagamentos, erosões, assoreamento de canais, deterioração do pavimento e prejuízos para moradores.
A indicação pede que o município realize estudo hidrológico, hidráulico e topográfico completo para identificar os principais pontos de contribuição de água e avaliar a implantação de bacias de retenção, amortecimento e infiltração no entorno da cidade.
Essas bacias funcionam como reservatórios temporários.
Durante chuvas fortes, elas seguram parte da água e liberam o volume aos poucos, evitando que tudo entre de uma vez no sistema de drenagem urbana.
Na prática, é como criar um freio para a enxurrada.
Em vez de a água descer rapidamente para os canais da cidade, ela passa por um processo de amortecimento, reduzindo o impacto nos pontos mais vulneráveis.
A proposta também cita que esse tipo de solução já é utilizado na engenharia moderna de drenagem urbana e pode contribuir para reduzir enchentes, preservar a malha viária, proteger o meio ambiente e diminuir gastos públicos com reparos emergenciais.
Durante a explicação, Wesley afirmou que a contratação desse estudo ainda não seria possível em 2026, porque não está prevista no Plano de Contratações Anual do município.
Por isso, ele pediu que o Executivo inclua a contratação no PCA de 2027, permitindo que o município se prepare para fazer o levantamento técnico de forma adequada.
A indicação também menciona que o próprio Plano Municipal de Saneamento Básico de Cáceres já prevê ações relacionadas à gestão das águas pluviais, incluindo readequação de espaços públicos para bacias de amortecimento, elaboração de planos de bacias hidrográficas e formulação de um Plano Diretor de Drenagem Urbana.
Outro ponto destacado no documento é que dados nacionais de saneamento apontam que Cáceres ainda não possui Plano Diretor específico de drenagem urbana nem cadastro técnico completo das obras existentes, o que reforça a necessidade de planejamento especializado.
A proposta não promete resolver os alagamentos de uma hora para outra.
Mas aponta um caminho preventivo.
Em vez de agir apenas depois que a chuva causa estragos, o município poderia começar a planejar formas de controlar o caminho da água antes que ela chegue com força aos bairros, ruas e canais urbanos.
Se o estudo for incluído no planejamento de 2027 e sair do papel, Cáceres poderá avançar para uma política de drenagem mais inteligente, técnica e preparada para o crescimento da cidade.
Afinal, quando o assunto é alagamento, esperar a próxima chuva forte para agir costuma sair mais caro.
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