Um dado preocupante veio à tona e merece atenção imediata. A bactéria Salmonella foi encontrada em mais de 31% das amostras coletadas em viveiros de peixes nativos em Mato Grosso, um dos principais polos aquícolas do país.
O levantamento foi divulgado pela Embrapa nesta terça-feira e escancara um problema que vai além da produção. Segundo o estudo, o patógeno foi identificado em 88% das propriedades avaliadas no estado.
Não é um número pequeno. É praticamente um problema generalizado.
Produção forte, controle frágil
Mato Grosso vem se consolidando como potência na piscicultura, com crescimento acelerado e incentivo à produção. Mas os dados mostram que o avanço pode não estar sendo acompanhado pelo mesmo nível de controle sanitário.
E aqui entra um ponto que pouca gente fala. Produzir mais sem garantir qualidade pode virar um problema maior do que solução.
A presença da Salmonella não afeta apenas os peixes. Ela representa risco direto à saúde humana, principalmente no consumo e no manuseio inadequado. Ou seja, o problema sai do viveiro e chega na mesa.
Falha de fiscalização ou falta de prioridade?
A pergunta que começa a surgir é clara. Onde está a fiscalização?
A biossegurança em ambientes de criação não é detalhe técnico, é obrigação básica. E quando quase 9 em cada 10 propriedades apresentam contaminação, fica difícil tratar como caso isolado.
Ou houve falha na orientação aos produtores, ou falta de fiscalização, ou os dois.
E isso pesa ainda mais em um estado que se vende como referência na produção.
O alerta já foi dado
A própria Embrapa aponta a necessidade urgente de reforçar a vigilância sanitária e as medidas de biossegurança. Isso inclui controle da água, manejo adequado, higiene nos viveiros e monitoramento constante.
Nada disso é novidade. São práticas básicas que, na teoria, já deveriam estar sendo seguidas.
Quem paga a conta
Se o problema não for tratado com seriedade, o prejuízo pode vir em várias frentes.
O produtor perde credibilidade
O consumidor fica exposto
E o mercado, que hoje cresce, pode sofrer restrições
No fim, a conta chega para todo mundo.
O dado divulgado não é só um número técnico. É um sinal claro de que o setor precisa ajustar o rumo antes que o problema ganhe proporções maiores.
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