O Projeto de Lei 3630/25, que já está sendo chamado de “PL Luciano Hang”, começa a entrar no radar com uma proposta que mexe direto com a realidade das ruas. A ideia gira em torno de permitir maior divulgação de imagens e informações de pessoas flagradas cometendo crimes, principalmente furtos.
Na prática, é algo que já acontece todos os dias. Vídeos de câmeras de segurança circulam em grupos de WhatsApp, páginas locais e perfis de notícia. A diferença é que hoje isso acontece em uma zona cinzenta. O projeto tenta dar um tipo de respaldo a esse comportamento.
O ponto que mais chama atenção é simples e direto. O medo de ser exposto pode inibir o crime.
Hoje, muitos furtos acontecem porque quem pratica acredita que nada vai acontecer. Só que quando entra o risco de ter o rosto espalhado na internet, reconhecido na cidade e associado ao crime, o cálculo muda. Em cidades menores, comerciantes já perceberam isso na prática. Depois que começam a divulgar imagens, os casos tendem a diminuir.
Não é o Estado resolvendo. É a pressão social funcionando.
Nem tudo é solução simples
Só que o projeto também acende um alerta importante. A mesma ferramenta que pode inibir o crime pode gerar injustiças.
A legislação brasileira é clara ao proteger a imagem, a honra e a dignidade da pessoa. A Constituição Federal garante esses direitos no artigo 5º, e qualquer exposição indevida pode gerar indenização por danos morais.
Ou seja, não é porque alguém aparece em um vídeo que automaticamente pode ser tratado como culpado.
Existe um risco real de erro, de julgamento precipitado e até de perseguição. E isso, se não for bem delimitado, pode transformar uma tentativa de solução em outro problema.
O que está por trás do projeto
Nos bastidores, o PL dialoga com um sentimento cada vez mais comum. A população está cansada de pequenos crimes que se repetem e raramente têm resposta rápida.
Furto em comércio, roubo rápido, reincidência. Situações que parecem simples, mas que no dia a dia geram prejuízo e sensação de abandono.
Ao mesmo tempo, as redes sociais já viraram um espaço onde essas situações são expostas. O projeto apenas reconhece isso e tenta colocar alguma regra no meio do caminho.
Quem se fortalece com a proposta
Comerciantes e vítimas tendem a ganhar mais poder de reação. A exposição vira uma forma de defesa, ainda que indireta.
Por outro lado, cresce o risco para quem pode ser exposto de forma equivocada. E isso não é detalhe. Basta um vídeo fora de contexto para causar um dano difícil de reparar.
No fim, o debate vai além da segurança.
É sobre até onde a sociedade aceita ir para tentar frear o crime. Entre a impunidade e a exposição, existe uma linha que precisa ser bem definida.
O que já se percebe é que o medo de virar “o rosto do crime” pode, sim, fazer muita gente pensar duas vezes antes de agir.
Mas sem cuidado, pode também atingir quem não deveria.
Leia mais em www.folhadecaceres.com.br
Siga @folhadecaceres
Folha de Cáceres — a verdade doa a quem doer.

