Secretário de Educação pode ser forçado a sair: Câmara articula possível afastamento de Fransérgio

O secretário municipal de Educação, Fransérgio, entrou definitivamente na mira da Câmara de Cáceres. Após uma sessão marcada por críticas duras, manifestações do público e discursos inflamados, o presidente da Casa, vereador Flávio Negação, anunciou que irá consultar o jurídico para verificar se é possível, com 10 assinaturas, formalizar um pedido de afastamento do secretário.

A crise ganhou força após requerimento apresentado pela vereadora Elis Enfermeira (PL), que cobra informações detalhadas sobre possível insuficiência de ADIs (Auxiliares de Desenvolvimento Infantil) na rede municipal.

No documento, ela questiona número de profissionais por escola, déficit estimado, critérios de lotação, previsão orçamentária e atendimento a crianças com deficiência.

Na tribuna, Elis afirmou ter sido desrespeitada pelo secretário ao buscar esclarecimentos sobre denúncias de mães preocupadas com a falta de ADIs, transporte escolar com ônibus quebrando constantemente e ausência de uniformes. Segundo ela, a resposta recebida foi que a secretaria já possui equipe “capacitada” para avaliar a situação.

“O problema não é estar dentro ou fora da lei. O problema é a falta de educação”, declarou a vereadora ao final da sessão, fazendo uma analogia direta: “Um secretário de Educação sem educação é inaceitável.”

Clima de ruptura

O vereador Jerônimo elevou ainda mais o tom. Chamou o secretário de “truculento” e afirmou que nem mesmo a prefeita conseguiria colocá-lo “no lugar dele”. Segundo ele, há clima de medo nas escolas e diretores evitam falar sobre problemas.

Pastor Júnior apoiou Elis e defendeu convocação urgente do secretário para audiência pública. Já o vereador Pacheco questionou a autoridade do secretário e cobrou planejamento, especialmente quanto ao transporte escolar e período chuvoso.

Isaías defende secretário e é vaiado

Na contramão da maioria, o vereador Isaías saiu em defesa de Fransérgio. Disse que não é a primeira vez que se pede o afastamento, que o secretário já respondeu questionamentos anteriormente e que as escolas estão climatizadas e com índices melhorando.

Durante sua fala, parte do público reagiu com vaias. Isaías afirmou confiar na coerência da prefeita e disse que, se houver necessidade, ela saberá o momento de afastá-lo.

A posição do vereador foi vista por colegas como tentativa de blindagem política, enquanto o debate central girava em torno da postura administrativa do secretário.

Negação fala em “insustentabilidade”

Ao final da sessão, o presidente Flávio Negação afirmou que a situação se tornou “insustentável” e que mais de 80% dos vereadores demonstraram insatisfação com a condução da pasta.

Ele anunciou que buscará reunião com a prefeita e estudará, junto ao jurídico da Casa, a possibilidade regimental de formalizar pedido coletivo de afastamento com 10 assinaturas.

Se houver respaldo jurídico, a Câmara poderá pressionar oficialmente pela exoneração.

O que pode acontecer agora?

A decisão final sobre manter ou exonerar o secretário cabe à prefeita. No entanto, se a maioria do Legislativo formalizar posicionamento, o desgaste político pode se tornar inevitável.

O debate deixou claro que a crise deixou de ser pontual e passou a ser institucional.

Agora, resta saber: a prefeita manterá Fransérgio no cargo ou atenderá à pressão da Câmara?


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