FREE SHOP SOB PRESSÃO: produtos mais caros que na internet e reclamações sobre filas e atendimento

Jornalista investigativo de Cuiabá compara preços com ofertas do Mercado Livre; consumidores questionam se os benefícios fiscais estão chegando ao bolso de quem compra.

O Pantanal Free Shop, em Cáceres, começa a enfrentar questionamentos sobre preços e atendimento. Reclamações encaminhadas à redação e uma comparação preliminar de valores levantam uma pergunta: onde está a economia prometida pelo conceito de loja franca?

Um jornalista investigativo de Cuiabá esteve no estabelecimento e comparou preços com ofertas do Mercado Livre e de outras empresas brasileiras. Segundo o levantamento relatado, alguns produtos estavam com valores semelhantes ou inferiores aos encontrados na internet. Em uma breve pesquisa presencial, a redação também observou preços que não demonstravam vantagem clara para o consumidor.

A variedade, entretanto, merece reconhecimento. O empreendimento oferece produtos difíceis de encontrar no comércio local, o que representa um diferencial para Cáceres. O problema é que essa diversidade nem sempre parece vir acompanhada de preços competitivos.

A situação levanta dúvidas sobre os benefícios fiscais concedidos ao empreendimento. Em Mato Grosso, existe um regime de isenção de ICMS para determinadas operações de lojas francas, acompanhado de regras específicas. Isso não significa que todos os impostos sejam zerados, nem que a diferença de preço, por si só, prove que o benefício esteja ficando com o empresário. Ainda assim, o consumidor tem o direito de perguntar: se existe vantagem tributária, por que ela não aparece claramente na etiqueta? Ou estaria apenas benefiando o empresário da loja?

Fila na entrada e loja vazia?

Outra reclamação recebida pela redação envolve a entrada no estabelecimento. Um consumidor relatou que levou parentes de fora para conhecer o free shop durante o feriadão, mas encontrou dificuldades para entrar e uma fila que, segundo ele, não correspondia ao movimento no interior da loja.

O visitante também afirmou ter encontrado dificuldades para registrar uma reclamação, após ser informado de que o procedimento deveria ser agendado pelo WhatsApp. Ele deixou o local decepcionado e constrangido diante dos familiares.

Há relatos que levantam a suspeita de que a fila poderia criar uma impressão de maior movimento, mas não há comprovação de que isso seja intencional. A direção do estabelecimento precisa esclarecer como funciona o controle de entrada e quais canais estão disponíveis para ouvir os consumidores.

O free shop tem potencial para movimentar a economia e o turismo de Cáceres. Mas variedade, atendimento e preços competitivos são fundamentais para conquistar o público.

Afinal, de que adianta o nome ser free shop se o consumidor não percebe a diferença no bolso?

A redação deixa espaço aberto para que a direção do empreendimento se manifeste sobre os preços, os benefícios fiscais e as reclamações de atendimento.

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