hidrovia ainda desafiam desenvolvimento da região e chegada de novas indústrias

Após quase 40 anos de espera, seminário mostra que o desafio agora é transformar a estrutura da ZPE em empregos, produção e exportações; retomada do transporte pelo Rio Paraguai também entra no debate.

Depois de quase quatro décadas de espera, a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres finalmente conta com estrutura física, alfandegamento autorizado e uma empresa instalada. Mas uma pergunta continua no ar: quando todo esse investimento começará a produzir resultados em maior escala para a economia e para a população cacerense?

A questão ganhou força durante o seminário realizado na quarta-feira (14), na Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), em Cuiabá. O encontro reuniu empresários, representantes do Governo do Estado e especialistas para discutir a atração de novas indústrias e as possibilidades de transformar Cáceres em um polo de produção voltado ao mercado internacional.


A ZPE recebeu mais de R$ 51 milhões em investimentos públicos, ocupa uma área de 247 hectares e já possui recinto alfandegado pela Receita Federal. A empresa TRC Agroflorestal, ligada ao setor de madeira teca, é uma das primeiras a operar na unidade. Entretanto, a chegada de outras indústrias ainda depende de negociações e novos investimentos.


Hidrovia volta ao centro das discussões

Um dos pontos estratégicos para o futuro da ZPE é a possibilidade de utilizar o Rio Paraguai como alternativa para o transporte de mercadorias. O chamado Tramo Norte da Hidrovia Paraguai-Paraná, entre Cáceres e Corumbá, representa uma rota que poderia ampliar as alternativas logísticas para empresas interessadas em exportar.

O presidente da administradora da ZPE, Francis Maris Cruz, destacou durante o seminário a posição geográfica de Cáceres, a proximidade com a Bolívia, o acesso a outros mercados sul-americanos e a possibilidade de integração entre diferentes modalidades de transporte. Segundo ele, a logística pode ser um dos principais atrativos para novos investidores.


Entretanto, a retomada de operações comerciais de maior escala pelo Tramo Norte ainda envolve questões ambientais, jurídicas e operacionais. O Ministério de Portos e Aeroportos já esclareceu que o aprofundamento do trecho entre Cáceres e Corumbá não integra o projeto federal apresentado, devido às preocupações com os impactos sobre o Pantanal.


Empresas interessadas, mas o desafio é sair das negociações

Segundo Francis, existem conversas com investidores interessados em instalar empreendimentos ligados à exportação de mel, processamento de soja, frigorífico de aves e comercialização de mármore. A intenção é fazer com que parte da produção mato-grossense deixe de ser exportada apenas como matéria-prima e passe por processos industriais dentro do próprio Estado.

A proposta é economicamente importante: em vez de simplesmente transportar grãos, por exemplo, Mato Grosso poderia exportar óleo e farelo de soja, agregando valor à produção e criando oportunidades de trabalho. No entanto, interesse empresarial não significa investimento confirmado, e os projetos ainda precisam avançar até a instalação efetiva das unidades.


Cáceres precisa transformar potencial em resultado

A prefeita Eliene Liberato Dias também participou do seminário e defendeu a união entre poder público e iniciativa privada para transformar as vantagens da ZPE em investimentos, emprego e renda. Representantes do Governo do Estado reforçaram que a estrutura e os incentivos estão disponíveis, mas que a aproximação com empresários será fundamental para consolidar o empreendimento.


A realidade é que Cáceres reúne características importantes: localização estratégica, acesso ao Rio Paraguai, proximidade com a fronteira e uma ZPE estruturada. O que ainda precisa ser demonstrado é a capacidade de transformar essas vantagens em um volume significativo de indústrias funcionando, mercadorias circulando e trabalhadores empregados.

Depois de quase 40 anos, Cáceres já não espera apenas pela construção da ZPE. Agora, espera que ela cumpra aquilo que sempre foi prometido: desenvolvimento econômico, empregos e oportunidades.

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