COM 56 MIL HABITANTES, PONTES E LACERDA CONSEGUE ELEGER DOIS DEPUTADOS ESTADUAIS

Enquanto Pontes e Lacerda conseguiu eleger dois nomes ligados à região, Cáceres voltou a ficar sem representação própria na Assembleia Legislativa

Cáceres chega ao fim desta eleição com uma sensação difícil de ignorar: tivemos muitos candidatos, muita movimentação política, muitos grupos trabalhando — e, no final, nenhum deputado estadual diretamente ligado à cidade foi eleito.

Enquanto isso, Pontes e Lacerda, com população menor, conseguiu transformar sua força política em duas cadeiras ligadas à região.

Isso deveria provocar uma reflexão séria.

Talvez o problema não esteja apenas no eleitor.

Talvez esteja também — e muito — nas lideranças políticas de Cáceres.

Porque política não se faz apenas lançando candidatos.

Faz-se também sentando à mesa, conversando, negociando, construindo projeto de médio e longo prazo e entendendo quando é hora de cada grupo ceder um pouco para fortalecer a cidade.

Se determinada liderança pretende disputar a Prefeitura depois, tudo bem.

Se outro grupo quer construir uma candidatura futura, também.

Façam seus projetos.

Negociem espaço.

Façam acordos políticos dentro da legalidade.

Mas talvez Cáceres precise aprender a chegar a uma eleição estadual com um ou dois nomes realmente concentrando força, em vez de pulverizar votos entre várias candidaturas locais e, ao mesmo tempo, ver lideranças daqui trabalhando para candidatos de fora.

Não existe obrigação de votar em candidato de Cáceres.

O voto é livre.

Mas existe uma diferença entre liberdade de escolha e ausência de estratégia política regional.

Quando cada grupo pensa apenas no próprio candidato, no próprio partido ou no próprio projeto, o resultado pode ser exatamente este:

todo mundo tem candidato, mas a cidade fica sem deputado.

E cada eleição perdida custa quatro anos.

Se isso se repete duas, três ou quatro vezes, já não estamos falando apenas de um mandato perdido. Estamos falando de uma geração inteira vendo outras regiões acumularem representação, recursos, obras e força política.

A eleição de 2026 deixa uma lição simples para Cáceres:

não falta voto. Falta organização para transformar voto em representação.

E talvez, antes da próxima eleição, a conversa precise começar muito antes das convenções partidárias.

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