As dificuldades do Fort podem ter feito mais do que atrasar uma obra: colocaram Cáceres no radar de grandes investidores

Artigo de opinião | Eurimar da Folha 

Presidente do Grupo Pereira afirma que o momento é de Cáceres e sinaliza a possibilidade de chegada de novas grandes empresas. 

A repercussão do empreendimento, somada à ZPE e ao Free Shop, pode mudar a visão do Brasil sobre o potencial econômico do município.

Há situações em que uma dificuldade acaba produzindo um efeito que ninguém esperava. O que começou como a implantação de uma grande unidade do Fort Atacadista em Cáceres, cercada por entraves e disputas que atrasaram a obra, pode estar contribuindo para algo ainda maior: despertar o interesse de empresários que, até então, talvez não estivessem olhando para o município com a devida atenção.

Em visita a Cáceres nesta quinta-feira (29), o presidente do Grupo Pereira, Inácio Passos Pereira, falou sobre as dificuldades enfrentadas pelo empreendimento e reafirmou a intenção de inaugurar a unidade ainda este ano. Mais do que tratar da conclusão de uma obra, porém, suas declarações trouxeram uma perspectiva que merece ser observada: segundo o empresário, que atua em diferentes regiões do Brasil, o momento de Cáceres chegou, e outras grandes empresas podem se interessar em investir no município.

Essa possibilidade reforça uma reflexão que já apresentamos anteriormente em artigo de opinião aqui na Folha de Cáceres. A chegada do Fort não representa apenas mais um supermercado ou atacadista. Um investimento desse porte também coloca a cidade em evidência, chama a atenção para seu mercado consumidor e mostra a outros grupos empresariais que existe espaço para novos negócios na região.

E há um detalhe importante: as dificuldades enfrentadas pelo empreendimento podem ter ampliado essa visibilidade. Quando uma empresa de alcance nacional enfrenta obstáculos para instalar uma unidade em determinado município, o caso ultrapassa os limites locais e desperta questionamentos sobre o ambiente de negócios, as oportunidades existentes e os desafios que precisam ser superados para investir ali.

Isso não significa que os empresários necessariamente desistirão ou deixarão de investir por causa desses episódios. Pelo contrário, a própria permanência do Grupo Pereira e a intenção de concluir o empreendimento podem transmitir uma mensagem de confiança no potencial de Cáceres. Ao mesmo tempo, a repercussão dos entraves serve de alerta para a importância de oferecer segurança jurídica, previsibilidade e condições adequadas para quem pretende gerar empregos e movimentar a economia.

Cáceres tem mais cartas na mesa

O Fort Atacadista não é o único elemento que pode mudar a dimensão econômica do município. A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e a implantação do Pantanal Free Shop acrescentam novas perspectivas ao cenário local. O Free Shop já abriu as portas, enquanto a ZPE representa uma aposta na atração de atividades empresariais ligadas à produção e ao comércio exterior.

São iniciativas diferentes, mas que podem se complementar. Uma grande rede atacadista movimenta o comércio e gera empregos; o Free Shop pode atrair consumidores de outras cidades e estados; e a ZPE tem potencial para integrar Cáceres a novas cadeias de produção e exportação. Se esses projetos avançarem de forma articulada, a cidade poderá ampliar sua capacidade de atrair investimentos e criar oportunidades para a população.

A localização fronteiriça, a ligação com a Bolívia e a possibilidade de atender consumidores de uma ampla região são vantagens que merecem ser exploradas. Mas potencial, por si só, não transforma uma cidade. É necessário planejamento, infraestrutura, segurança jurídica e diálogo entre o poder público e a iniciativa privada.

O momento é de Cáceres?

A declaração de Inácio Pereira de que o momento é de Cáceres chama a atenção justamente porque parte de um empresário que conhece o mercado e atua em diferentes regiões do país. Sua avaliação não garante que novas empresas chegarão, mas indica que o município está entrando no campo de visão de investidores com capacidade de realizar empreendimentos de grande porte.

É nesse ponto que Cáceres precisa aproveitar a oportunidade. Não basta comemorar a chegada de uma empresa ou esperar que outra anuncie um investimento. É preciso preparar a cidade para receber novos negócios, melhorar os acessos, fortalecer a infraestrutura, qualificar trabalhadores e criar condições para que empresas encontrem aqui um ambiente favorável para crescer.

Também é necessário compreender que os benefícios de grandes investimentos não devem ficar restritos às empresas que chegam. O comércio local, os prestadores de serviços, os produtores rurais, os hotéis, os restaurantes e os trabalhadores precisam estar preparados para participar desse movimento econômico.

Na avaliação deste colunista, o episódio do Fort Atacadista pode acabar marcando um momento importante para Cáceres. As dificuldades não devem ser romantizadas, porque atrasos também representam custos, frustrações e oportunidades que deixam de acontecer. Mas a repercussão de um empreendimento nacional, somada à abertura do Free Shop e às perspectivas da ZPE, pode ter ajudado a colocar a cidade em uma vitrine maior.

Agora, a expectativa é que o anúncio de retomada se transforme em obra concluída e que o interesse demonstrado por grandes empresários se converta em novos investimentos concretos.

Cáceres não precisa apenas provar que consegue receber grandes empresas. Precisa mostrar que está preparada para receber muitas outras. Se o momento realmente é da cidade, como afirmou Inácio Pereira, cabe ao poder público, aos empresários e à sociedade aproveitar essa oportunidade para construir um novo ciclo de desenvolvimento.

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