Segundo relatos, direção não teria interferido na manifestação favorável ao presidente Lula, mas apresentou restrições durante o ato de apoiadores de Bolsonaro, levantando questionamentos sobre tratamento diferente aos grupos políticos.
Duas manifestações políticas realizadas na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em Cáceres, chamaram a atenção não apenas pelas diferenças ideológicas entre os participantes, mas principalmente pela postura atribuída à direção do campus diante dos dois movimentos.
Primeiro, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizaram uma manifestação na universidade. Segundo informações recebidas pela reportagem, o ato aconteceu sem qualquer intervenção ou orientação restritiva por parte da direção da instituição.
Entretanto, quando apoiadores de Flávio Bolsonaro organizaram uma manifestação no mesmo espaço, a situação teria sido diferente. Conforme os relatos, a diretora do campus compareceu ao local e passou a apresentar uma série de restrições à realização da atividade, situação que provocou questionamentos e terminou em uma discussão com participantes.
Dois grupos políticos, duas posturas?
O episódio levanta uma questão que vai além das preferências partidárias: por que a direção teria adotado uma postura durante a manifestação pró-Lula e outra diante dos apoiadores de Bolsonaro?
A Constituição Federal garante a liberdade de expressão e de reunião pacífica, princípios que também devem ser respeitados dentro das universidades públicas. Isso não impede que as instituições estabeleçam regras para utilização de seus espaços, desde que sejam aplicadas de maneira impessoal e sem discriminação por posicionamento político.
É importante destacar que os relatos recebidos não permitem concluir que houve favorecimento político por parte da direção. Para isso, seria necessário esclarecer as circunstâncias dos dois eventos e verificar se ambos estavam sujeitos às mesmas exigências administrativas.
Até o momento, não há posicionamento oficial da Unemat sobre os motivos da intervenção durante a segunda manifestação, nem esclarecimento sobre a ausência de orientação semelhante no primeiro ato, conforme relatado pelos participantes.
A questão que permanece é simples: em uma universidade pública, as regras para manifestações políticas devem valer igualmente para todos, independentemente de serem apoiadores de Lula ou de Bolsonaro.
Leia mais em www.folhadecaceres.com.br
Siga @folhadecaceres
Folha de Cáceres — a verdade doa a quem doer.



