Alexandre de Moraes aponta supostos indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade contra André Mendonça; Fachin deu cinco dias para manifestação
A crise dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (3), dois dias depois de André Mendonça retirar o sigilo de informações da investigação sobre o Banco Master e tornar públicos dados que envolvem o ministro Alexandre de Moraes.
Em uma espécie de contra-ataque, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido para que sejam apuradas supostas irregularidades atribuídas a Mendonça na condução das investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no INSS.
No documento, Moraes afirma haver “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Entre as acusações estão suposta quebra da imparcialidade judicial, favorecimento a determinados grupos políticos, interferência na condução das investigações policiais e irregularidades nas tratativas de uma eventual colaboração premiada.
Moraes também afirma que teria havido direcionamento de investigações contra ele próprio e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por motivos que classificou como pessoais e políticos.
A sequência dos acontecimentos chama atenção
A movimentação ocorre poucos dias depois de Mendonça tornar públicos 218 páginas de um relatório da Polícia Federal produzido a pedido dele no âmbito das investigações. O material trouxe à tona informações sobre a relação entre Moraes, pessoas próximas ao ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A divulgação do material provocou forte tensão dentro da própria Suprema Corte.
Agora, Moraes utiliza o inquérito das chamadas fake news para encaminhar as acusações contra Mendonça ao presidente do STF.
Fachin, por sua vez, determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentem manifestações no prazo de cinco dias. Até o momento, Fachin ainda não decidiu sobre o pedido de investigação feito por Moraes.
Lula também se manifesta
Em meio à crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se pronunciou nesta quinta-feira sobre o caso Banco Master.
Lula classificou o episódio como “o maior roubo da história do Brasil” e defendeu que as investigações alcancem todos os envolvidos, sem blindagem.
O presidente também criticou o que chamou de “vazamentos seletivos” e afirmou esperar que o presidente do STF, Edson Fachin, e o procurador-geral da República conduzam um processo capaz de preservar a confiança nas investigações. Lula ainda defendeu “reformas profundas” no sistema político e judiciário.
O episódio coloca o STF diante de uma situação pouco comum: dois ministros da própria Corte trocando acusações e questionamentos sobre a condução de investigações que envolvem autoridades e um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.
E, enquanto Mendonça terá que responder às acusações apresentadas por Moraes, o presidente do Supremo terá agora a responsabilidade de conduzir os próximos passos de uma crise que já ultrapassou os limites do caso Banco Master e passou a atingir diretamente a própria relação interna entre os ministros da Corte.
O caso encabeça a lista dos maiores escabdalos da história:
| Ano | Caso | Governo federal na época | Valor associado* |
|---|---|---|---|
| 2025–2026 | 🔴 Banco Master | Lula III (PT) | Bilhões/dezenas de bilhões de R$ em operações sob investigação |
| 2014–2020 | 🔴 Petrolão / Operação Lava Jato | Dilma Rousseff (PT) / Michel Temer (MDB) | Bilhões de R$ em propinas e prejuízos relacionados ao esquema |
| 2010 | 🟠 Banco PanAmericano | Lula II (PT) | R$ 4,3 bilhões de rombo |
| 2005 | 🟠 Assalto ao Banco Central de Fortaleza | Lula I (PT) | R$ 164,8 milhões levados |
| 2005 | 🔴 Mensalão | Lula I (PT) | Centenas de milhões de R$ associados ao esquema |
| 2003–2007 | 🟠 Máfia das Ambulâncias / Sanguessugas | Lula I (PT) | Dezenas de milhões de R$ |
| 1999 | 🟠 Banco Marka / FonteCindam | Fernando Henrique Cardoso (PSDB) | Cerca de R$ 1,6 bilhão em operações de socorro |
| 1996–2002 | 🔴 Banestado / contas CC-5 | Fernando Henrique Cardoso (PSDB) | Dezenas de bilhões de dólares em remessas investigadas |
| 1990–1995 | 🔴 Fraudes do Banco Nacional | Fernando Collor / Itamar Franco / FHC | Prejuízo acumulado de R$ 9,85 bilhões |
| 1990 | 🟠 Caso PC Farias | Fernando Collor (PRN) | Centenas de milhões de dólares movimentados no esquema |
| 1989 | 🟠 Escândalo da Previdência | José Sarney (MDB) | Bilhões de cruzeiros em fraudes e irregularidades |
| 1985–1986 | 🟠 Caso Capemi | José Sarney (MDB) | Milhões de dólares |
| 1982 | 🟠 Caso Delfin | João Figueiredo (PDS) | Bilhões de cruzeiros |
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