Discussão ganhou força após informações sobre as comunicações do ministro no caso Banco Master; internautas apontam possível contradição com entendimento adotado por Moraes em julgamento relacionado ao 8 de Janeiro
Uma nova discussão tomou conta das redes sociais após informações sobre a forma como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria se comunicado durante episódios relacionados ao caso Banco Master.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Moraes teria utilizado um recurso de mensagens de visualização única, no qual o conteúdo desaparece depois que o destinatário abre a mensagem.
O objetivo desse tipo de ferramenta é justamente impedir que a conversa permaneça registrada no aparelho de quem recebe a mensagem.
Até aqui, trata-se de uma informação relacionada à forma de comunicação.
Mas foi justamente esse detalhe que chamou a atenção de internautas, que passaram a resgatar um voto anterior do próprio Moraes para fazer uma comparação.
O que Moraes escreveu no caso da “Débora do Batom”?
No julgamento de Débora Rodrigues dos Santos, que ficou conhecida como “Débora do Batom”, Moraes abordou a exclusão de informações de um celular e atribuiu relevância ao fato para a análise do caso.
Em seu voto, o ministro afirmou que a eliminação deliberada de dados de um aparelho poderia representar forte indício de tentativa de obstrução da Justiça, já que celulares podem armazenar mensagens, registros de chamadas, localização e outras informações importantes para uma investigação.
Moraes também escreveu que a eliminação dessas informações poderia dificultar o trabalho dos investigadores e, dependendo do contexto, indicar uma intenção de destruir evidências.
Outro argumento utilizado pelo ministro foi de que, caso uma pessoa tivesse plena convicção de sua inocência, não teria motivo para eliminar registros que poderiam eventualmente confirmar sua versão.
E é aí que começa a comparação nas redes
A partir desses dois fatos — o uso de mensagens que desaparecem e o entendimento manifestado anteriormente por Moraes sobre a eliminação de dados — internautas começaram a levantar uma questão:
se a eliminação de informações de um celular pode ser considerada relevante para uma investigação quando envolve um investigado, como deve ser analisado o uso de uma ferramenta que impede justamente que determinadas mensagens permaneçam registradas quando utilizada por uma autoridade?
Não se trata de afirmar que o uso de mensagem de visualização única seja crime.
Não é isso.
Também não significa que a utilização desse recurso prove qualquer irregularidade.
A questão levantada é sobre coerência de critérios.
O episódio acabou produzindo uma situação que, para muitos internautas, soa no mínimo contraditória: o mesmo ministro que considerou a eliminação de dados um elemento relevante para avaliar a conduta de uma acusada agora aparece associado ao uso de uma ferramenta cuja principal característica é justamente fazer com que a mensagem desapareça depois de visualizada.
É uma comparação feita nas redes sociais e a partir dos próprios documentos e declarações públicas de Moraes, e não uma acusação apresentada pela defesa de André Mendonça.
O debate vai além do caso Master
A discussão acontece em um momento particularmente delicado para o STF.
Moraes e André Mendonça estão envolvidos em lados diferentes de uma disputa institucional que ganhou força justamente a partir das investigações relacionadas ao Banco Master.
Mendonça passou a conduzir medidas relacionadas ao caso, enquanto Moraes posteriormente apresentou questionamentos sobre a atuação do colega.
Com isso, cada nova informação envolvendo os ministros passou a ser analisada não apenas pelo aspecto jurídico, mas também pela opinião pública.
E a pergunta que ficou nas redes é bastante simples:
os critérios utilizados pela Justiça precisam valer da mesma maneira quando se trata de qualquer pessoa, inclusive quando o envolvido é uma autoridade?
A resposta, evidentemente, cabe às instituições e às próprias investigações.
Mas a comparação já está feita — não por uma defesa, não por um ministro, mas pelo próprio público que acompanha o caso e coloca lado a lado declarações e acontecimentos.
E talvez seja justamente por isso que o assunto tenha ganhado tanta repercussão.
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