Apoio da direção estadual e presença de integrantes da chapa majoritária colocam candidato cacerense em evidência dentro do projeto do partido para a região Oeste
A candidatura do vereador Jerônimo Gonçalves (PL) a deputado estadual chega à reta final da campanha com sinais de fortalecimento político dentro do próprio Partido Liberal e maior aproximação com o núcleo da candidatura de Wellington Fagundes (PL) ao Governo de Mato Grosso.
Jerônimo entrou oficialmente na disputa estadual praticamente às vésperas da convenção do partido, após a desistência de Ricardo Castella. Seu nome foi anunciado pelo presidente estadual do PL, Ananias Filho, e posteriormente homologado junto aos outros candidatos da sigla à Assembleia Legislativa.
Desde então, a campanha do cacerense passou a receber manifestações públicas de integrantes da direção partidária e da chapa majoritária.
No lançamento oficial da candidatura, realizado em agosto no Lions Clube de Cáceres, Ananias Filho e o candidato a vice-governador Reinaldo Moraes manifestaram apoio a Jerônimo por meio de vídeos apresentados durante o evento.
Mais recentemente, Reinaldo esteve pessoalmente em Cáceres participando de uma mobilização eleitoral ao lado do candidato, percorrendo a Avenida Talhamares e participando de agenda política na cidade.
A sequência de movimentos mostra que Jerônimo deixou de ser apenas um nome lançado pelo diretório local e passou a ocupar espaço na estratégia eleitoral do grupo de Wellington na região Oeste.
De candidato definido na última hora a nome apoiado pela direção
A trajetória chama atenção justamente pela maneira como começou.
Jerônimo foi confirmado como pré-candidato a poucos dias da convenção estadual do PL.
Pouco mais de dois meses depois, chega à reta final com manifestações públicas de apoio da direção estadual e de integrantes da chapa ao Governo.
Durante o lançamento da campanha, Jerônimo apresentou como bandeiras a implantação de um Centro de Hemodinâmica em Cáceres e mudanças na tributação relacionada aos free shops, defendendo maior protagonismo regional para o município.
O vereador também carrega uma trajetória política construída no próprio município. Conforme os registros oficiais da Câmara, Jerônimo já exerceu mandato de vereador, foi secretário municipal de Planejamento e coordenador de Regularização Fundiária antes do atual mandato.
Relação com Wellington ganha peso político
Essa aproximação ganha relevância porque Jerônimo e Wellington disputam a eleição pelo mesmo partido.
Wellington aparece competitivo na disputa pelo Governo, embora cenários como esse não permitam afirmar antecipadamente quem vencerá a eleição.
No levantamento Real Time Big Data divulgado em 3 de setembro, Wellington registrou 34%, contra 27% de Otaviano Pivetta. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores, teve margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrada sob o número MT-07156/2026.
Já a AtlasIntel, divulgada em 11 de setembro, encontrou Wellington com 34,4% e Pivetta com 30,8%. Com margem de três pontos percentuais, os dois estavam tecnicamente empatados. Foram entrevistados 1.209 eleitores entre 4 e 9 de setembro, com registro MT-02766/2026.
O Paraná Pesquisas apresentou cenário diferente em levantamento divulgado no dia 18: Pivetta apareceu com 42,4% e Wellington com 29,6%.
Portanto, há uma disputa aberta pelo Palácio Paiaguás.
É nesse contexto que o espaço ocupado por Jerônimo dentro da estrutura partidária ganha dimensão política para Cáceres.
Representatividade regional entra no debate
A candidatura de Jerônimo também coloca novamente em discussão uma antiga questão da política cacerense: a representação direta do município na Assembleia Legislativa.
Caso seja eleito, Jerônimo passaria a integrar a bancada estadual pelo mesmo partido de Wellington.
Caso não seja eleito, o apoio demonstrado pela direção partidária e pela chapa majoritária indica que ele poderá continuar exercendo influência dentro da estrutura regional do PL — embora qualquer função futura em eventual governo de Wellington dependa de decisões posteriores e não possa ser tratada hoje como garantida.
É justamente aí que existe uma diferença importante entre fato e expectativa eleitoral.
É possível afirmar que Jerônimo conquistou espaço dentro do PL.
É possível afirmar que a direção estadual manifestou apoio à sua candidatura.
É possível mostrar que o candidato a vice de Wellington veio a Cáceres participar diretamente de sua campanha.
O que tudo indica é que Jerônimo pode chegar a ser o “braço direito”, “porta-voz” ou responsável pelas decisões de um eventual governo na região Oeste.
PL tenta construir alinhamento de suas candidaturas
A estratégia ocorre enquanto o PL estadual cobra alinhamento interno em torno de sua chapa.
Ananias Filho tem feito cobranças públicas por fidelidade dos filiados à candidatura de Wellington, chegando a afirmar que integrantes do partido que optassem por fazer campanha para adversários deveriam deixar a legenda.
Jerônimo, ao contrário dos focos de dissidência registrados pelo partido em outros municípios, mantém sua campanha vinculada ao projeto estadual do PL.
No plano nacional, a mesma legenda tem Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. Isso faz com que a campanha do partido trabalhe com candidaturas da mesma sigla nas três esferas citadas: Flávio para presidente, Wellington para governador e Jerônimo para deputado estadual.
O resultado das urnas, naturalmente, será definido pelos eleitores.
Mas a reta final já revela um movimento político concreto: Jerônimo, que entrou na disputa estadual praticamente na última hora, conseguiu chegar às semanas decisivas com apoio público da direção estadual e aproximação com a chapa majoritária do PL.
Para Cáceres e a região Oeste, independentemente do resultado eleitoral, esse espaço conquistado dentro de um dos principais partidos da disputa estadual passa a ser um elemento relevante do cenário político que sairá das urnas em outubro
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