Sem indicar candidatos ou partidos, reflexão às vésperas das eleições destacou voto pela consciência, defesa da vida desde a concepção e rejeição à corrupção; orientação dada pelo Pe. Jair está em sintonia com mensagem divulgada pelos bispos de Mato Grosso
A poucos dias das eleições de 2026, a política também entrou na reflexão da missa deste domingo (27), na Catedral São Luiz, em Cáceres.
Não houve pedido de voto para candidato ou partido. A orientação apresentada aos fiéis foi para que cada pessoa faça sua própria escolha, com liberdade e consciência, mas considerando os princípios da fé católica no momento de decidir.
Durante a reflexão, foi ressaltado que o cristão não deveria separar completamente sua fé da escolha feita diante da urna.
Entre os critérios mencionados esteve a defesa da vida desde a concepção, além da necessidade de observar a conduta de quem pede o voto.
A mensagem também chamou atenção para candidatos envolvidos com práticas erradas, corrupção, desvio de recursos ou comportamentos incompatíveis com os valores que um cristão procura seguir.
Em resumo: o padre não disse em quem votar. Disse quais princípios um católico deveria considerar antes de votar.
A IGREJA NÃO INDICA CANDIDATO
Essa distinção é importante.
A própria CNBB, em sua mensagem para as eleições de 2026, afirma que a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos políticos, mas considera legítimo oferecer critérios éticos e morais para que os fiéis façam seu discernimento de maneira livre e responsável.
E a orientação ouvida na Catedral encontra respaldo ainda mais próximo de Cáceres.
Em junho, os bispos católicos de Mato Grosso, incluindo Dom Jacy Diniz Rocha, bispo de São Luiz de Cáceres, divulgaram uma mensagem específica sobre as eleições.
O documento estabelece como critério de discernimento o compromisso com a “defesa integral da vida, desde a concepção até a morte natural”. Também orienta o eleitor a pesquisar a história dos candidatos, avaliar sua coerência ética e não escolher alguém simplesmente porque utiliza um discurso religioso.
Os bispos também lembram a atuação histórica da Igreja no combate à compra de votos e defendem atenção à corrupção e à utilização indevida dos recursos públicos.
FÉ, CONSCIÊNCIA E URNA
A reflexão deste domingo ocorre exatamente uma semana antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
E talvez esse tenha sido o principal recado deixado aos católicos presentes: a decisão continua pertencendo ao eleitor.
Cada fiel possui liberdade para escolher seus candidatos.
Mas, na perspectiva apresentada pela Igreja, liberdade de escolha não significa ausência de critérios.
Para o católico, o voto também passa pelo discernimento sobre vida, dignidade humana, honestidade, justiça, bem comum e comportamento público dos candidatos. A mensagem nacional da CNBB também recomenda avaliar trajetória, propostas e compromissos, além de alertar contra corrupção, compra de votos e desinformação.
Assim, a Catedral de Cáceres não apresentou uma lista de nomes.
Apresentou critérios.
A escolha, como ressaltado durante a missa, pertence à consciência de cada eleitor.
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