Gasolina chega a R$ 7,19 em Cuiabá e supera preço registrado durante crise da pandemia e da guerra

 Valor encontrado em postos da capital ultrapassa nominalmente os R$ 7,17 registrados em março de 2022; cenário atual combina pressão internacional do petróleo e diferentes componentes na formação do preço ao consumidor

A gasolina comum chegou a R$ 7,19 o litro em postos de Cuiabá nesta quarta-feira (23), segundo levantamento realizado pelo RepórterMT. O valor chama atenção por superar, em termos nominais, um dos preços registrados na capital durante a crise dos combustíveis de 2022, quando o litro chegou a R$ 7,17.

A comparação, entretanto, precisa considerar que são períodos econômicos diferentes e que os R$ 7,19 encontrados agora não representam necessariamente a média de todos os postos da capital.

Na pesquisa oficial mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada entre 13 e 19 de setembro, a gasolina comum em Cuiabá apresentava preço médio próximo de R$ 6,97, antes do novo valor identificado nesta semana.

Ainda assim, o retorno da gasolina à casa dos R$ 7 chama atenção justamente pela comparação com um período marcado por forte turbulência no mercado internacional de combustíveis.

Em 2022, petróleo disparou após início da guerra

Embora a pandemia tenha provocado profundas alterações na economia mundial, o pico observado em março de 2022 não pode ser atribuído simplesmente às restrições da Covid-19.

No início da pandemia, as medidas de isolamento chegaram a provocar queda na demanda por combustíveis, devido à redução da circulação de pessoas e veículos.

Já em março de 2022, quando Cuiabá registrou gasolina a R$ 7,17, o mercado enfrentava uma forte escalada internacional do petróleo após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Naquele período, a Petrobras anunciou reajuste de 18,8% na gasolina vendida às distribuidoras, além de 24,9% no diesel, diante da alta das cotações internacionais.

Quatro anos depois, o consumidor mato-grossense volta a encontrar preços nominais semelhantes — e, em alguns postos pesquisados nesta quarta-feira, até superiores.

É importante observar, porém, que R$ 7,19 em 2026 e R$ 7,17 em 2022 não possuem o mesmo valor real, devido à inflação acumulada no período.

Gasolina subiu cerca de R$ 0,20 em postos pesquisados

Segundo o levantamento divulgado nesta quarta-feira, estabelecimentos que comercializavam gasolina por aproximadamente R$ 6,99 passaram a cobrar R$ 7,19, uma diferença de R$ 0,20 por litro.

O aumento equivale a aproximadamente 2,9%.

Para um motorista que abastece 50 litros, a diferença representa cerca de R$ 10 a mais por tanque.

O etanol também apresentou aumento nos estabelecimentos pesquisados, chegando a R$ 4,39.

Petróleo internacional voltou a pressionar combustíveis

O cenário internacional também voltou a exercer pressão sobre os preços em 2026. Neste mês, o petróleo ultrapassou temporariamente a marca dos US$ 100 por barril diante das tensões no Oriente Médio.

O Governo Federal anunciou medidas tributárias e subsídios diante da alta internacional, reconhecendo o impacto da volatilidade do petróleo sobre o mercado brasileiro de combustíveis.

A Petrobras também informou neste mês mudanças que, considerando alterações tributárias, representariam efeito líquido de redução de R$ 0,19 por litro na gasolina com tributos para as distribuidoras.

Isso, entretanto, não significa uma redução automática de R$ 0,19 nas bombas.

O preço pago pelo motorista não depende exclusivamente da Petrobras.

Preço final tem impostos, etanol, distribuição e revenda

Entre a saída do combustível da refinaria e a chegada ao tanque do veículo existem diferentes componentes.

Além da parcela referente à gasolina produzida pela Petrobras, entram na composição do preço final etanol anidro, impostos federais e estaduais e os custos e margens de distribuição e revenda.

Por isso, alterações feitas pela Petrobras não são necessariamente repassadas integralmente ou imediatamente ao consumidor.

A nova alta acontece ainda em plena reta final do período eleitoral, faltando 11 dias para o primeiro turno das eleições de 4 de outubro. O calendário eleitoral, porém, não estabelece por si só relação com a formação dos preços dos combustíveis, que depende dos diferentes componentes da cadeia.

O novo levantamento de Cuiabá mostra, de qualquer forma, um marco simbólico: quatro anos depois da crise de 2022, postos da capital mato-grossense voltaram a exibir gasolina acima dos R$ 7 e chegaram aos R$ 7,19 por litro.

Agora, os próximos levantamentos oficiais da ANP deverão mostrar se o patamar encontrado nesta quarta-feira se espalhou pela capital ou permanece restrito a determinados estabelecimentos.

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