Febre do Nilo Ocidental: registrada em 13 estados; Mato Grosso teve caso confirmado neste ano e 2026 já soma quatro casos humanos confirmados no país

A Febre do Nilo Ocidental voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde brasileiras depois da confirmação de novos casos em 2026. Apesar de ser uma doença rara no país e de a maioria das pessoas infectadas não apresentar sintomas, algumas infecções podem evoluir para quadros neurológicos graves.

Por isso, vale entender como a doença funciona, como é transmitida e, principalmente, como evitar a picada do mosquito transmissor.

O que é a Febre do Nilo Ocidental?

A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção causada pelo vírus do Nilo Ocidental, um arbovírus do mesmo grande grupo de vírus que inclui agentes causadores de doenças como dengue, zika e febre amarela.

O vírus circula principalmente em um ciclo envolvendo aves e mosquitos. As aves infectadas funcionam como fonte do vírus para os mosquitos, que podem posteriormente transmitir a infecção ao picar seres humanos e outros animais.

O principal transmissor é o mosquito do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca.

Onde a doença já chegou?

A doença não é nova no Brasil.

O primeiro caso humano confirmado no país ocorreu em 2014, no Piauí. Desde então, evidências e registros da doença foram identificados em diferentes regiões brasileiras. Um levantamento publicado em 2026 identificou 110 casos prováveis ou confirmados em 59 municípios de 13 estados entre 2014 e 2024.

Entre os estados que já registraram ocorrências estão Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, entre outros.

E Mato Grosso?

Mato Grosso também já registrou caso humano.

Em fevereiro de 2026, a Secretaria de Estado de Saúde confirmou um caso de Febre do Nilo Ocidental em um bebê residente em Campo Novo do Parecis. O paciente foi atendido em Cuiabá e recebeu alta médica. Na ocasião, a SES classificou o episódio como um caso isolado e iniciou investigação epidemiológica para tentar identificar o provável local de infecção.

Uma investigação científica posterior descreveu o caso como o primeiro caso confirmado de Febre do Nilo Ocidental em Mato Grosso e apontou condições ambientais favoráveis à manutenção do ciclo do vírus, reforçando a necessidade de vigilância integrada entre seres humanos, animais, mosquitos e meio ambiente.

E o que aconteceu agora em 2026?

O Brasil confirmou quatro casos humanos em 2026, sendo dois em São Paulo e dois em Santa Catarina. Em Santa Catarina, uma mulher de 77 anos morreu após desenvolver complicações neurológicas; outro paciente recebeu alta. Em São Paulo, uma mulher de 34 anos se recuperou e uma adolescente de 18 anos permanecia sob cuidados médicos nas informações divulgadas em agosto. O Ministério da Saúde também informou a investigação de um caso provável no Piauí.

Ou seja: não se trata de uma doença que surgiu agora no Brasil, mas os novos registros fizeram as autoridades reforçarem a vigilância.

Como a pessoa pega a doença?

A principal forma de transmissão é bastante simples: pela picada de um mosquito infectado.

O mosquito se infecta ao picar uma ave que esteja carregando o vírus. Depois, ao picar uma pessoa, pode transmitir o vírus.

É importante destacar que uma pessoa não pega a doença simplesmente por estar perto de outra pessoa infectada. A transmissão entre seres humanos não é a forma habitual de disseminação da doença.

Também não se deve pensar que tocar ou observar uma ave significa automaticamente risco de contaminação. O principal cuidado é evitar a exposição aos mosquitos.

Quais são os sintomas?

A grande maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas.

Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 20% dos infectados desenvolvem sintomas, geralmente leves. Entre eles estão:

  • febre de início repentino;
  • dor de cabeça;
  • dores musculares;
  • mal-estar;
  • falta de apetite;
  • náuseas e vômitos;
  • dor nos olhos;
  • manchas na pele;
  • aumento de gânglios linfáticos.

O problema é que, em uma pequena parcela dos casos, a doença pode atingir o sistema nervoso.

Quando a doença fica perigosa?

A forma grave pode provocar encefalite, meningite e paralisia flácida aguda, além de outros problemas neurológicos.

O Ministério da Saúde estima que aproximadamente um em cada 150 infectados desenvolva doença neurológica grave.

Por isso, uma pessoa que apresente febre associada a fraqueza intensa, confusão mental, alteração de consciência, convulsões, rigidez ou outros sintomas neurológicos deve procurar atendimento médico imediatamente.

Idosos e pessoas com determinadas condições de saúde apresentam maior risco de evolução grave.

Existe vacina?

Não há vacina recomendada para seres humanos no Brasil.

Também não existe tratamento antiviral específico contra a Febre do Nilo Ocidental.

O tratamento é de suporte, com repouso, hidratação e acompanhamento médico. Nos casos graves, pode ser necessária internação e até atendimento em UTI.

Como se proteger?

Como não existe vacina, evitar a picada do mosquito é a principal forma de prevenção.

A orientação das autoridades é:

🦟 Use repelente conforme as instruções do fabricante.

👕 Use roupas que cubram braços e pernas, principalmente quando estiver em locais com grande presença de mosquitos.

🏠 Coloque telas em portas e janelas e utilize mosquiteiros quando necessário.

💧 Evite água parada, eliminando recipientes que possam servir de criadouro para mosquitos.

🗑️ Não acumule lixo ou recipientes que possam juntar água, especialmente em quintais.

🌅 Redobre a atenção no amanhecer e no entardecer, períodos de maior atividade de mosquitos Culex, segundo as orientações de saúde.

Também é recomendável evitar o contato ou manuseio de animais encontrados mortos, comunicando situações incomuns às autoridades responsáveis.

É motivo para pânico?

Não.

Especialistas ressaltam que a Febre do Nilo Ocidental continua sendo uma infecção rara no Brasil e que a maioria absoluta das pessoas infectadas não desenvolve doença grave. O importante é manter a vigilância e adotar medidas simples para reduzir a exposição aos mosquitos.

Para a população de Cáceres e de outras cidades de Mato Grosso, a recomendação prática é a mesma: não entrar em pânico, mas também não ignorar os cuidados contra mosquitos.

Eliminar criadouros, usar repelente e proteger a casa são medidas que ajudam não apenas contra a Febre do Nilo Ocidental, mas também contra diversas outras doenças transmitidas por mosquitos.

Leia mais em www.folhadecaceres.com.br
Siga @folhadecaceres
Folha de Cáceres – a verdade doa a quem doer.



Postagem Anterior Próxima Postagem