A sessão da Câmara de Cáceres desta segunda-feira (17) teve debate acalorado, troca de argumentos e, no meio da discussão, até um “assassinato” que só aconteceu no discurso de um vereador.
O episódio ocorreu durante a discussão de um requerimento apresentado pelo vereador Flávio Negação, que solicita informações à Prefeitura sobre as cestas básicas distribuídas pelo município nos últimos três anos. O pedido busca dados sobre compra, gestão, cadastramento de beneficiários, estoque e distribuição — ou seja, informações relacionadas ao exercício da fiscalização parlamentar.
Jorge, porém, voltou a criticar a quantidade de requerimentos apresentados atualmente e repetiu uma afirmação que já havia feito outras vezes: na avaliação dele, haveria excesso de requerimentos porque a prefeita Eliene Liberato é mulher.
A fala foi contestada pelo vereador Pastorelo. Segundo ele, a quantidade de requerimentos não tem relação com o fato de a prefeita ser mulher. Cezare afirmou que já apresentava requerimentos durante a gestão do ex-prefeito Francis Maris e que, inclusive, os números poderiam ser conferidos no Portal da Transparência.
Mas foi na réplica que a discussão ganhou um capítulo digno de crônica política.
Ao insistir no argumento de que os requerimentos estariam relacionados ao fato de a prefeita ser mulher, Jorge citou a vereadora Elis Enfermeira e afirmou que ela já havia utilizado a tribuna para falar sobre o feminicídio que teria sofrido.
Problema: Elis está viva.
Feminicídio, por definição, envolve a morte de uma mulher em contexto caracterizado pela violência de gênero. Portanto, ao tentar sustentar seu argumento, o vereador acabou, por um erro de fala, anunciando na tribuna a “morte” de uma colega que continua muito bem viva.
Algumas pessoas que assistia, chegaram a brincar, "Cuidado Elis, isso é ameaça", lógico que em tom de brincadeira.
A discussão, no entanto, revela algo maior. Requerimentos são instrumentos básicos de fiscalização do vereador. Pedir informações sobre a utilização de recursos públicos, programas sociais, compras, cadastros e distribuição de benefícios faz parte das atribuições do Legislativo e não deveria, por si só, ser tratado como perseguição política.
No caso das cestas básicas, o requerimento pretende justamente colocar no papel informações sobre como o programa funciona: quanto foi comprado, como os beneficiários são cadastrados, como é feito o controle do estoque e como ocorre a distribuição.
Nada muito exótico para quem ocupa uma cadeira no Legislativo.
A sessão, entretanto, mostrou que até uma simples fiscalização pode render uma discussão política — e, desta vez, quase rendeu também um obituário que ninguém pediu.
Elis, felizmente, continua viva. E provavelmente terá uma boa história para contar sobre a sessão em que, sem sair de casa, conseguiu ser “assassinada” e ressuscitada no plenário no mesmo dia.
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