Participação do candidato na Festa do Peão teve manifestações de apoio e agora é questionada judicialmente pela campanha petista
A participação de Flávio Bolsonaro (PL) na Festa do Peão de Barretos, em São Paulo, terminou no palco, diante de uma multidão, e agora também virou assunto na Justiça Eleitoral.
Durante o evento, o candidato à Presidência foi chamado ao palco pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e recebeu manifestações de apoio do público. O locutor da festa, Cuiabano Lima, também fez a apresentação de Flávio e conduziu a interação com a plateia. Segundo a ação apresentada posteriormente pela campanha de Lula, houve iluminação em verde e amarelo e participação do público com as lanternas dos celulares.
A cena, que para os apoiadores de Flávio foi recebida como uma manifestação de apoio popular durante um dos maiores eventos sertanejos do país, acabou desagradando a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Campanha de Lula contesta manifestação
A coligação que apoia a candidatura de Lula entrou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusando Flávio e seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, de suposto abuso de poder econômico.
A campanha petista sustenta que a participação teria utilizado a estrutura profissional da Festa do Peão para promover eleitoralmente o candidato e pede a cassação do registro da chapa e a declaração de inelegibilidade por oito anos.
Na versão apresentada pelos advogados de Lula, o episódio não teria sido uma manifestação espontânea, mas um ato previamente organizado dentro da programação do evento.
A defesa de Flávio, por outro lado, contesta a acusação. Segundo a equipe do candidato, ele participou como convidado, fez uma fala de aproximadamente 1 minuto e 10 segundos e deixou o local em seguida. A campanha também afirma que outros candidatos teriam recebido oportunidade semelhante.
Entre o espontâneo e o planejado
É justamente aí que está o ponto central da disputa.
De um lado, a campanha de Lula afirma que houve planejamento e utilização da estrutura do evento para transformar a participação em uma espécie de “showmício”.
De outro, o episódio foi marcado por manifestações públicas de apoio ao candidato, incluindo a interação do locutor com a plateia e a reação do público presente.
Agora, caberá à Justiça Eleitoral analisar se aquilo que ocorreu em Barretos foi apenas uma participação de Flávio em um evento público, acompanhada de manifestações de apoio, ou se houve efetivamente utilização irregular da estrutura da festa para fins eleitorais.
Por enquanto, não há decisão definitiva de inelegibilidade. O que existe é um pedido apresentado pela coligação adversária, que ainda será analisado pela Justiça Eleitoral.
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