Quando a imprensa escolhe um lado, quem perde é a credibilidade

O bom jornalismo não precisa agradar ninguém. Precisa apenas ser coerente.

Um veículo sério pode elogiar hoje e criticar amanhã. Pode reconhecer acertos e apontar erros. Afinal, essa é uma das funções da imprensa. O problema começa quando o leitor passa a enxergar um padrão: alguns personagens parecem receber críticas permanentes, enquanto outros, independentemente do que façam, são tratados com uma complacência difícil de explicar.

Essa percepção não nasce dentro das redações. Nasce entre os próprios leitores.

Em Mato Grosso, um conceituado jornal da capital tem despertado esse tipo de comentário. Basta acompanhar sua cobertura política para perceber que determinados nomes aparecem repetidamente em reportagens de tom negativo, enquanto outros parecem desfrutar de uma blindagem editorial.

Coincidência? Linha editorial? Cada leitor chegará à sua própria conclusão.

Em Cáceres, chama atenção a frequência com que o ex-prefeito Túlio Fontes aparece no noticiário desse veículo, seja em artigos, "curtinhas", textos opinativos ou matérias jornalísticas. Quem acompanha a política regional sabe que ele continua sendo um dos poucos líderes com um eleitorado consolidado e fiel, construído ao longo de décadas de atuação pública. Independentemente de concordar ou discordar de suas posições, é difícil negar que se trata de um dos nomes mais conhecidos da política cacerense.

Talvez justamente por isso esteja seu maior desafio. A maior parte desse eleitorado foi formada ao longo de muitos anos e concentra-se, em sua maioria, entre pessoas acima dos 35 anos, que acompanharam suas administrações, conhecem sua forma de atuação e lembram de sua capacidade de articulação política.

A disputa agora parece ser outra: conquistar uma geração que não viveu esse período e que conhece a política muito mais pelas redes sociais do que pela memória administrativa. É justamente por isso que Túlio intensificou sua presença no ambiente digital, apresentando sua trajetória a um público que ainda está formando sua opinião política.

É nesse contexto que alguns leitores passaram a questionar se a frequência das críticas publicadas pelo jornal da capital seria apenas uma coincidência editorial ou reflexo de uma opção por dedicar atenção especial a um personagem político que continua competitivo no cenário regional.

Naturalmente, uma maior exposição gera mais debates, elogios e críticas. Isso faz parte da democracia.

O que chama a atenção, porém, é quando um mesmo personagem ocupa, de forma recorrente, espaço em conteúdos de tom predominantemente desfavorável. É justamente essa repetição que alimenta dúvidas sobre a uniformidade dos critérios editoriais adotados.

No fim das contas, o maior patrimônio de qualquer veículo de comunicação não é sua audiência. É sua credibilidade.

Quando o público começa a acreditar que existem dois pesos e duas medidas, a confiança deixa de ser automática. E, uma vez perdida, dificilmente é recuperada.

O eleitor continuará formando sua opinião nas ruas, nas conversas e, principalmente, nas urnas. Já a imprensa continuará sendo julgada pelo mesmo público que pretende informar.

Porque o jornalismo forte não é aquele que escolhe lados. É aquele que aplica o mesmo critério para todos.

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