Avanço reforça esperança de pesquisadores, mas tratamento ainda está longe de ser aplicado à maioria dos pacientes
Durante décadas, ouvir a palavra "cura" ao lado do HIV parecia impossível. A medicina conseguiu transformar uma doença que antes era praticamente uma sentença de morte em uma condição crônica, controlada por medicamentos. Agora, um novo capítulo dessa história começa a ser escrito.
Pesquisadores anunciaram mais dois casos de pacientes considerados livres do vírus HIV após tratamentos altamente complexos. Com isso, cresce o número de pessoas que alcançaram a chamada remissão de longo prazo, fortalecendo a convicção de muitos cientistas de que a cura, embora ainda distante para a maioria dos pacientes, deixou de ser apenas uma teoria.
Os casos envolvem pessoas que passaram por transplantes de medula óssea utilizando células de doadores que possuíam uma rara mutação genética conhecida por impedir que o HIV consiga invadir determinadas células do sistema imunológico. O procedimento, no entanto, é indicado apenas para pacientes que também apresentam doenças graves, como alguns tipos de câncer no sangue, e não representa um tratamento aplicável à população em geral.
Apesar dessa limitação, o impacto científico é enorme.
Cada novo paciente curado ajuda pesquisadores a compreender melhor os mecanismos necessários para eliminar completamente o vírus do organismo, algo que há poucos anos parecia inalcançável.
Enquanto isso, milhões de pessoas continuam vivendo normalmente graças aos medicamentos antirretrovirais, capazes de reduzir a carga viral a níveis indetectáveis. Nessas condições, além de preservar a saúde do paciente, o tratamento impede a transmissão sexual do vírus quando seguido corretamente.
Paralelamente à busca pela cura, a ciência também avança na prevenção. Novos estudos apresentados neste mês mostraram resultados próximos de 100% de eficácia para uma PrEP injetável aplicada apenas duas vezes por ano, o que pode representar uma mudança importante no combate à epidemia.
Ainda não é possível afirmar que o HIV foi derrotado.
Mas, pela primeira vez desde o surgimento da epidemia, os cientistas acumulam evidências concretas de que eliminar completamente o vírus do organismo humano deixou de ser apenas uma esperança e passou a ser um objetivo cientificamente possível — ainda que, por enquanto, restrito a situações muito específicas.
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