Toda grande discussão pública costuma trazer um fenômeno conhecido da política: quando o assunto ganha repercussão, não faltam pessoas querendo surfar na onda e aparecer como protagonistas da história.
Esse comportamente se repetiu nos últimos dias, durante a polêmica envolvendo o auxílio-alimentação aprovado pela Câmara Municipal.
Um simpatizante partidário recem-chegado na cidada, divulgou um vídeo afirmando que protocolou uma representação junto ao Ministério Público questionando a medida. O ato, por si só, é legítimo e faz parte do direito de qualquer cidadão de provocar os órgãos de controle.
O que gerou inconsistencia foi a narrativa apresentada.
No vídeo, ele afirma "não quero ganhar os créditos, mas foi eu que fiz", dizendo que por conta de um pedido protocolado no MP, deu início no processo de revogação do benefício.
A declaração dividiu opiniões entre seus seguidores, principalmente porque a mobilização contra o auxílio já vinha ocorrendo há dias. O assunto tomou conta das redes sociais, grupos de WhatsApp e das conversas nas ruas, gerando forte pressão popular e levando alguns vereadores a anunciar que sequer receberiam o benefício.
Também é importante lembrar que o simples protocolo de uma representação no Ministério Público não significa que o órgão deu razão ao autor ou que qualquer irregularidade tenha sido reconhecida. A manifestação apenas é recebida e posteriormente analisada para verificar se existem elementos que justifiquem alguma providência.
Outro ponto que já havia sido amplamente debatido é que, embora muitas pessoas tenham considerado o auxílio moralmente inadequado, a proposta, em tese, estava dentro dos parâmetros legais, razão pela qual sua revogação dependia do próprio rito legislativo.
Nesse contexto, a publicação do vídeo acabou sendo interpretada por parte de seus seguidores como uma tentativa de assumir a paternidade de um movimento que, na verdade, nasceu do descontentamento coletivo e do forte clamor popular.
Na política, como costuma acontecer em grandes polêmicas, quando a solução aparece, quase sempre surgem vários querendo ser o "pai da criança".
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