A abertura da 27ª Marcha dos Prefeitos, em Brasília, começou com clima político pesado e já virou assunto nas redes sociais.
O vice-presidente Geraldo Alckmin foi vaiado nesta terça-feira, 19, ao representar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento, que reúne prefeitos, vereadores, secretários e gestores municipais de todo o país.
As vaias aconteceram antes do discurso de Alckmin e também puderam ser ouvidas durante a transmissão oficial da Marcha. Em alguns momentos, o vice-presidente precisou aguardar a manifestação do público para iniciar sua fala. Também houve aplausos, mas o episódio foi suficiente para dominar o debate político do dia.
Lula não participou da abertura deste ano.
Segundo a imprensa nacional, o presidente foi representado por Alckmin e deve se reunir nesta quarta-feira, 20, com o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski.
Nas redes sociais, a ausência de Lula foi rapidamente associada às vaias recebidas por ele em edições anteriores da Marcha dos Prefeitos.
Em 2025, Lula foi vaiado ao ser anunciado no palco, durante o discurso e também no encerramento da cerimônia. Em 2024, o presidente também já havia sido alvo de manifestações negativas no mesmo evento.
Foi a partir daí que começou a circular a leitura política de que Alckmin teria sido enviado para “segurar o desgaste” no lugar de Lula.
Oficialmente, porém, não há confirmação de que o presidente tenha deixado de ir por medo de vaias.
O que existe é o contexto: Lula já havia sido vaiado em anos anteriores, não compareceu à abertura deste ano e o vice-presidente, escalado para representá-lo, acabou enfrentando a mesma reação de parte dos prefeitos presentes.
Durante o discurso, Alckmin tentou defender a relação do governo federal com os municípios e afirmou que o governo precisa atuar com “espírito republicano”, sem perseguir prefeitos por filiação partidária.
A fala, no entanto, não impediu o clima de constrangimento.
A Marcha dos Prefeitos é um dos principais eventos políticos do país porque reúne gestores municipais de todas as regiões e costuma servir como termômetro da relação entre o governo federal e as cidades.
Neste ano, em clima pré-eleitoral, o evento ganhou ainda mais peso.
A reação a Alckmin mostra que há insatisfação de parte dos gestores municipais com o governo federal, especialmente em temas como repasses, emendas, programas federais, obrigações impostas aos municípios e dificuldades financeiras das prefeituras.
O episódio também reforça uma leitura que vem crescendo nos bastidores: prefeitos querem mais recursos, menos burocracia e mais respeito à realidade local.
Na prática, Alckmin foi ao evento para representar Lula, mas acabou recebendo parte do desgaste político que já vinha sendo direcionado ao presidente nas edições anteriores.
Nas redes, o assunto ferveu.
Para apoiadores do governo, as vaias foram tratadas como manifestação política de setores de oposição.
Para críticos de Lula, o episódio foi visto como sinal de enfraquecimento do governo junto aos prefeitos.
O fato é que, em ano de eleição, uma vaia em um evento desse tamanho dificilmente fica apenas no auditório.
Ela vira recado político.
E, desta vez, o recado foi ouvido em Brasília e espalhado rapidamente pelo país.
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