Cáceres pode dar um passo importante para deixar de tratar os alagamentos apenas com medidas paliativas e começar a enfrentar o problema com planejamento técnico.
Uma indicação apresentada na Câmara Municipal propõe a elaboração de um cadastro atualizado de todo o sistema de drenagem pluvial subterrânea da cidade.
A ideia é levantar, de forma organizada, quais ruas e bairros já possuem galerias, bocas de lobo, manilhamentos, profundidade das redes, situação de limpeza interna, sentido do fluxo da água e pontos de deságue.
Na prática, seria uma espécie de “mapa técnico” da drenagem urbana de Cáceres.
Hoje, segundo o vereador Eng. Wesley Lopes, esse cadastro completo não existe no município.
Durante a sessão, ele explicou que a cidade recebeu, ao longo das décadas, várias obras de drenagem, popularmente conhecidas como manilhamentos, mas sem um registro técnico organizado.
Com isso, qualquer intervenção acaba sendo feita de forma pontual, muitas vezes apenas para resolver o problema imediato, sem atacar a causa dos alagamentos.
Segundo Wesley, a falta desse levantamento também dificulta a busca por recursos.
Sem saber exatamente onde existe rede de drenagem, qual a profundidade, qual a capacidade de escoamento e quanto cada trecho ainda suporta receber de água da chuva, o município fica limitado na hora de elaborar projetos e apresentar pedidos de investimento ao Governo do Estado, ao Governo Federal ou a parlamentares.
A indicação encaminhada à prefeita Eliene Liberato Dias e à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Logística aponta que o estudo deve servir justamente para subsidiar decisões de engenharia, quantificar custos, elaborar projetos e buscar recursos para ampliar o sistema de drenagem urbana.
O objetivo é atacar um problema conhecido dos moradores: os alagamentos que se repetem todos os anos em vários pontos da cidade durante o período de chuvas.
Na avaliação do parlamentar, antes de ampliar a drenagem, é preciso saber o que Cáceres já tem.
Ele defendeu que o município precisa conhecer tecnicamente sua própria rede para planejar obras mais eficientes e evitar que os mesmos pontos continuem sofrendo com enchentes e acúmulo de água.
Wesley também se colocou à disposição do Executivo para contribuir tecnicamente com o levantamento, destacando sua atuação como vereador e engenheiro.
A proposta não representa uma obra imediata, mas pode ser o primeiro passo para que Cáceres tenha um planejamento mais sério sobre drenagem urbana.
Com um cadastro técnico em mãos, o município poderá identificar os pontos mais críticos, avaliar a capacidade das redes existentes e buscar soluções definitivas para regiões que sofrem com alagamentos recorrentes.
Em uma cidade que convive todos os anos com transtornos causados pelas chuvas, conhecer a própria estrutura de drenagem pode ser tão importante quanto executar novas obras.
Sem diagnóstico, a solução vira remendo.
Com planejamento, Cáceres pode começar a tratar a drenagem como política pública permanente.
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