O CANTO ÉPICO AO MARCO DO JAURU

 

Ergue-se altivo o Marco do Jauru, testemunha de eras passadas, 

Quando os homens de coroa e espada vinham do além-mar, 

Trazendo consigo tratados e mapas, cercados de soldados e escribas, 

E diante dos rios imensos e do verde pantanal 

Ousaram fincar, na pedra fria, o selo do poder e da conquista. 

Ali ficou inscrita não apenas a fronteira de dois impérios, 

Mas a memória de sangue, suor e silêncio, 

Dos que aqui viviam muito antes da chegada dos conquistadores, 

E dos que, sob o peso da história, ergueram seus destinos. 

 

 

Oh Cáceres, cidade de braços abertos sobre o rio Paraguai, 

Em ti repousa este monumento, não como simples pedra, 

Mas como altar da memória coletiva, 

Lembrando a teus filhos que a grandeza não se mede em conquistas, 

Mas na força de preservar o que é raiz, o que é herança, 

O que dá sentido à terra em que caminhamos. 

Pois não há futuro sem memória, 

Nem povo sem história, 

E o Marco é guardião dessa verdade eterna, 

Um livro de granito que o tempo não consome. 

 

 

Quantos que passam por ele não veem além da matéria, 

Não sentem que ali ecoam as vozes de antigos tratados, 

Dos que disputaram terras, rios e destinos? 

E quantos esquecem que a perda da lembrança 

É a mais amarga derrota de uma sociedade? 

Por isso clamo, em voz alta e solene, 

Que o Marco do Jauru seja mais que ruína esquecida, 

Seja patrimônio vivo, ensinado às crianças, 

Honrado em festas, preservado com zelo, 

Pois ao protegê-lo, protegemos a nós mesmos. 

 

 

Que se levantem, pois, os cacerenses, 

Herdeiros de um passado de encontros e choques, 

E vejam no Marco não apenas um sinal de fronteira, 

Mas um farol de identidade, 

Uma pedra que sustenta o espírito da cidade. 

E que os séculos vindouros, ao contemplar seu perfil, 

Saibam que houve um povo que não deixou 

A poeira do descuido apagar a memória, 

Mas que a transformou em chama, 

Firme como granito, ardente como esperança. 

 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense



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