A suspensão das exportações de um frigorífico de Mato Grosso para a China voltou a acender o alerta no setor da carne bovina brasileira.
A medida envolve uma unidade localizada em Pontes e Lacerda, no oeste do estado, após autoridades chinesas identificarem a presença de hormônios sintéticos em cargas exportadas pela planta frigorífica. Segundo informações divulgadas pelo setor, a suspensão ocorreu de forma temporária e faz parte dos protocolos sanitários adotados pela China para controle de importações.
O caso ganhou repercussão porque Mato Grosso é hoje um dos maiores produtores de carne bovina do país e depende fortemente do mercado internacional, principalmente da China, que segue como principal compradora da carne brasileira.
A suspensão não significa embargo total da carne brasileira, mas afeta diretamente a unidade envolvida até que os esclarecimentos técnicos sejam apresentados e aceitos pelas autoridades chinesas.
O episódio também reacende uma discussão antiga dentro do agronegócio: o rigor sanitário cada vez maior imposto pelo mercado externo.
Hoje, países importadores não avaliam apenas quantidade ou preço.
Questões sanitárias, rastreabilidade do gado, uso de medicamentos, controle hormonal e fiscalização passaram a ter peso enorme nas negociações internacionais.
Para o setor produtivo, situações como essa preocupam porque podem afetar contratos, gerar insegurança comercial e abrir espaço para pressão internacional sobre a carne brasileira.
Ao mesmo tempo, especialistas lembram que o Brasil possui um dos maiores sistemas de controle agropecuário do mundo e que casos isolados não representam automaticamente todo o setor.
A China, no entanto, costuma adotar postura rígida quando encontra qualquer desconformidade sanitária.
Nos bastidores do agro, existe preocupação porque qualquer suspensão, mesmo localizada, acaba repercutindo internacionalmente e pode influenciar negociações futuras.
Pontes e Lacerda, cidade ligada fortemente à pecuária e ao agronegócio, acompanha o caso com atenção, principalmente pelo impacto econômico que frigoríficos possuem na geração de empregos e movimentação financeira da região.
Até o momento, a expectativa do setor é que a situação seja esclarecida tecnicamente para que as exportações sejam retomadas o mais rápido possível.
O caso também mostra como o mercado internacional está cada vez mais exigente.
Hoje, não basta produzir muito.
É preciso atender protocolos sanitários rigorosos, porque qualquer falha pode rapidamente ultrapassar os limites do frigorífico e atingir toda a cadeia produtiva.
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