A saída de Mauro Mendes do comando do Estado para disputar o Senado marca o fim de um ciclo que, apesar dos números apresentados, deixa uma leitura bem diferente fora da capital.
No discurso oficial, a gestão é vendida como equilibrada, com avanços em infraestrutura e indicadores. Na prática, principalmente no interior, a avaliação é mais dura.
Governo pouco municipalista
Um dos principais pontos de crítica é a falta de olhar para os municípios.
A percepção em várias regiões é de que o governo concentrou esforços na capital e, em alguns momentos, no chamado “nortão”, deixando outras áreas do estado em segundo plano.
Prefeitos e lideranças locais, reclamam da dificuldade de diálogo e da ausência de investimentos mais equilibrados entre as regiões.
O resultado é um sentimento claro de abandono em parte do interior.
Saúde e segurança ficaram abaixo do esperado
Mesmo com discurso de eficiência, duas áreas fundamentais ficaram marcadas por críticas constantes.
Na saúde, a avaliação recorrente é de distanciamento do Estado. Houve situações em que o governo foi acusado de empurrar responsabilidades para municípios, que já operam com estrutura limitada.
Na prática, muitos gestores locais tiveram que “segurar o sistema” com recursos próprios, enquanto aguardavam respostas mais efetivas do Estado.
Na segurança pública, o cenário também não passou ileso. A população seguiu convivendo com sensação de insegurança, especialmente fora dos grandes centros.
Ou seja, o discurso de gestão eficiente não se sustentou da mesma forma em todas as áreas.
Números positivos, realidade contestada
O governo destaca obras e evolução em indicadores, como pavimentação de rodovias e melhora na educação.
Mas esses números não são consenso.
A oposição e parte da população questionam o impacto real dessas melhorias no dia a dia, principalmente em regiões que não sentiram essas mudanças de forma concreta.
E é aí que a narrativa começa a perder força.
Saída estratégica, mas com desgaste
Mauro Mendes deixa o governo em um movimento político claro, mirando o Senado e buscando ampliar sua atuação.
Mas não sai sem desgaste.
A falta de presença em algumas regiões, somada às críticas nas áreas básicas, cria um cenário onde o apoio não é tão uniforme quanto o discurso tenta mostrar.
O que fica para o próximo governo
Com a posse de Otaviano Pivetta, o desafio será imediato.
Mais do que dar continuidade, será preciso corrigir desequilíbrios e tentar reconstruir a relação com os municípios.
Porque uma coisa é certa.
O Estado não se resume à capital.
E ignorar isso cobra preço político.
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