vereadores contra requerimentos, principalmente de última hora, incluem vários requerimentos sem "mimimi"

A sessão desta semana na Câmara de Cáceres foi marcada por bastidores políticos, ironias entre vereadores e um debate que acabou expondo um tema recorrente dentro do Legislativo: o tratamento dado aos requerimentos apresentados pelos parlamentares.

Durante a sessão, em determinado momento, o presidente da Casa era temporariamente o vereador Isaías, já que o presidente Flávio Negação estava em uma reunião na Marinha. Mesmo assim, diversos requerimentos e indicações foram incluídos na pauta, alguns deles protocolados já no decorrer da reunião — prática que historicamente gera discussão dentro do Legislativo.

Entre os autores estavam vereadores de diferentes bancadas, e a inclusão ocorreu sem grandes debates ou questionamentos naquele momento.

Ironia na tribuna

Ao pedir a palavra, o vereador Cezare Pastorello iniciou sua fala elogiando a condução da sessão, que naquele momento era presidida por Isaías, afirmando que a Câmara estava agindo de forma democrática ao permitir a entrada de requerimentos de última hora.

O elogio, porém, veio acompanhado de ironia.

Segundo ele, em diversas ocasiões anteriores, quando ele próprio tentou apresentar requerimentos, enfrentou resistência do então presidente, Isaias Bezerra, que questionou a urgência e pedia explicações detalhadas sobre o motivo da proposta.

O parlamentar citou inclusive situações, em outras sessões, em que o vereador Isaías, quando presidia os trabalhos, exigia explicações mais detalhadas sobre os requerimentos e defendia que pedidos apresentados de última hora não deveriam ser aceitos.

Pastorello também mencionou que a vereadora Valdeníria é tradicionalmente crítica à apresentação de requerimentos, principalmente os protocolados durante a própria sessão, argumentando que esse tipo de prática deveria ser evitado ou até banido.

Mesmo assim, na sessão desta semana, requerimentos apresentados nessas condições — inclusive por ela — foram aceitos normalmente, “sem mimimi”, como destacou o vereador.

Segundo Pastorello, o problema não seria o tema ou o conteúdo do pedido.

“Às vezes o problema é quem está pedindo”, afirmou em tom crítico.

Cutucada sobre habilitação

Em outro momento da discussão, Pastorello comentou um requerimento apresentado pelo vereador Jorge Augusto, relacionado à aquisição de uma van para a Câmara. Durante a fala, ele mencionou que, em situações excepcionais, poderia ser discutida a possibilidade de vereadores conduzirem veículos oficiais quando o motorista estivesse impossibilitado momentaneamente.

Segundo ele, a ideia seria permitir que, em casos específicos — como cansaço do motorista ou algum imprevisto — o vereador pudesse assumir a direção temporariamente até que a situação fosse resolvida.

Foi nesse momento que veio a observação em tom de brincadeira:

“Claro… desde que o vereador tenha habilitação.”

A frase provocou risadas no plenário, inclusive do próprio vereador Jorge.

A observação foi interpretada como uma referência indireta a um episódio recente envolvendo um veículo oficial da Câmara.

Caso do veículo da Câmara

O episódio citado ocorreu durante uma viagem oficial de vereadores, quando um veículo da Câmara acabou sendo conduzido por um parlamentar.

Na ocasião, o motorista do Legislativo teria relatado algum problema físico ou indisposição, e o vereador Jorge Augusto acabou assumindo a direção do veículo.

Durante o trajeto, o carro foi parado em uma blitz policial, momento em que foi constatado que a habilitação do vereador estava suspensa.

Segundo relatos que circularam posteriormente, a situação foi resolvida no momento e o caso não chegou imediatamente ao conhecimento da Mesa Diretora.

A presidência da Câmara só teria tomado conhecimento oficial do episódio posteriormente, quando a notificação da multa chegou ao Legislativo.

Debate sai da pauta

Após a menção ao episódio, alguns vereadores passaram a responder ou tentar se defender sobre o assunto, o que acabou desviando a discussão do tema original do requerimento.

Diante da situação, o presidente da Câmara, Flávio Negação, interveio.

Ele explicou que o debate estava saindo do tema em discussão e lembrou que o regimento determina que as falas devem permanecer dentro da pauta do requerimento.

Segundo Negação, outros assuntos poderiam ser abordados posteriormente durante a palavra livre.

Reação no plenário

Após a intervenção, houve reação no plenário.

A vereadora Valdeníria contestou a decisão e argumentou que alguns parlamentares estariam tendo mais espaço para se manifestar do que outros.

Segundo ela, não seria justo permitir determinadas falas e impedir outras.

O momento gerou tensão e troca de argumentos entre os vereadores, até que a sessão retomou o andamento normal.

Debate sobre coerência

O episódio acabou reacendendo um debate recorrente dentro da Câmara: a forma como requerimentos são aceitos ou questionados, especialmente quando são apresentados durante a própria sessão.

Para alguns parlamentares, a situação evidencia uma diferença de tratamento dependendo de quem apresenta o pedido.

Para outros, trata-se apenas da aplicação do regimento conforme a interpretação da presidência no momento da sessão.

Ao final, Pastorello voltou a reforçar sua crítica, afirmando que, em sua avaliação, “para uns pode, para outros não”. Segundo ele, alguns vereadores criticam a apresentação de requerimentos de última hora, mas acabam adotando a mesma prática quando lhes convém.

Para o vereador, isso revela uma incoerência no discurso de Valdeníria que cobra igualdade no uso da palavra, mas não aplica o mesmo critério quando se trata da aceitação ou rejeição de requerimentos dentro da própria Casa.


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